Vivi com um homem por apenas dois meses. A princípio, tudo estava calmo e correto, até que conheci sua mãe…

Depois do divórcio, morei sozinha por quase oito anos. Os filhos cresceram, se mudaram, cada um com sua vida. Aprendi a ser independente, a não depender do humor dos outros, a estabelecer meu próprio ritmo. Eu tinha um trabalho, meu apartamento, amigas e rotas habituais. E já estava quase resignada com a ideia de que um grande amor não acontece na minha idade.
E então ele apareceu.
Nós nos conhecemos por acaso, através de amigos em comum. Ele era calmo, inteligente, trabalhava com TI, morava sozinho. Divorciado, filho adulto em outra cidade. Ele não prometia estrelas do céu, apenas estava lá. Ligava, perguntava como foi o dia, trazia mantimentos se eu estivesse cansada. Ao lado dele, tudo era tranquilo e seguro.
Depois de seis meses, ele sugeriu:
– Talvez possamos tentar morar juntos? Na nossa idade, já sabemos se uma pessoa é a certa ou não.
Isso soou razoável. Eu tinha cinquenta e três, ele um pouco mais. Ambos já não éramos crianças. Aluguei meu apartamento e me mudei para o dele. Tudo estava tranquilo. Cozinhávamos jantares, assistíamos a filmes, passeávamos aos fins de semana. Eu pensava que finalmente havia encontrado um relacionamento maduro e adulto, sem joguinhos.
Quase dois meses tudo correu bem.
E então, uma noite, ele disse:
– Minha mãe quer te conhecer. Vai vir jantar conosco. Só estou te avisando, ela é rigorosa. Trabalhou a vida toda numa escola. Mas você vai gostar dela.
Fiquei um pouco nervosa. Aos cinquenta e poucos anos, se preocupar em agradar a mãe de alguém soa estranho. Mas concordei. Comprei uma sobremesa, arrumei a mesa, coloquei um vestido discreto. Decidi que tudo seria feito como adultos.
Ela chegou exatamente na hora marcada. Entrou confiante, inspecionou o apartamento como se estivesse avaliando seu estado. Fez algumas perguntas sobre a reforma e os móveis. Depois, sentou-se à mesa, ereta, e me olhou atentamente.
– Bem, me conte sobre você.
Expliquei calmamente onde trabalho, o que faço, que tenho meu próprio apartamento, que atualmente estou alugando.
– A renda é estável? Tudo formalizado? — ela indagou.
Eu assenti. Já então senti que não era apenas uma conversa.
– E dívidas? Empréstimos? — ela continuou.
– Não.
– E a saúde, está tudo bem?
Comecei a ficar tensa. Ele estava em silêncio, comendo calmamente, como se tudo estivesse normal.
Depois de um tempo, ela perguntou:
– Você tem filhos?
– Sim, adultos. Moram separados, — respondi.
Ela apertou os lábios.
– E vocês planejam ter filhos juntos?
Eu nem entendi de imediato a pergunta.
– Desculpe?
– Meu filho precisa de uma família. Completa. Você deve entender que, na idade dele, ainda pode se tornar pai. É importante saber se você ainda pode ter filhos. Precisamos de relatórios médicos, exames. Precisamos ter certeza.
Eu a observei e não conseguia acreditar que estava ouvindo isso a sério. Tenho cinquenta e três anos. Tenho dois filhos adultos. E agora preciso provar algo novamente?
Desviei o olhar para o homem com quem moro.
Ele deu de ombros.
– A mamãe só está preocupada. Talvez valha a pena fazer um exame? Para evitar mal-entendidos.
Naquele momento, algo clicou dentro de mim.
De repente, vi claramente o futuro. Não o nosso. O dele — com uma mãe que decidiria, verificaria, controlaria. E eu — no papel de uma aluna em exame.
Levantei-me calmamente da mesa.
– Para onde você vai? — ela perguntou bruscamente.
– Terminei o jantar, — respondi.
Ele me seguiu até o corredor.
– Você está reagindo de forma exagerada. Na nossa idade, temos que ser mais flexíveis. Minha mãe só quer o melhor.
– Não, — disse eu, vestindo meu casaco. — Na nossa idade já não precisamos ser convenientes. Na nossa idade, precisamos de respeito.
Juntei minhas coisas. Não eram muitas. Peguei a mala e fui embora para meu apartamento.
Depois, ele escreveu que eu havia arruinado tudo. Que uma mulher normal sabe se adaptar à família do homem. Que, aos cinquenta e três, devo ser grata por ter um relacionamento.
E eu me sentei na minha cozinha e, pela primeira vez naquela noite, respirei profundamente.
Percebi uma coisa: durante muito tempo na vida, me adaptei. Não quero mais.
Diga-me honestamente, aos cinquenta e poucos anos devemos aceitar quaisquer condições só porque «na nossa idade já é tarde para escolher»? Ou, na verdade, é nessa idade que finalmente temos o direito de escolher a nós mesmos?




