Histórias

Um homem de 67 anos me convidou para jantar. Fui embora quando sua filha de 30 anos fez uma pergunta indiscreta sobre minha situação financeira…

Tenho sessenta anos e sou viúva há cinco. A dor da perda já cicatrizou há muito tempo, meus filhos — um filho e uma filha — seguiram seus caminhos com suas próprias famílias, e eu passei a viver sozinha em um apartamento aconchegante. A solidão não me incomodava: eu frequentava a piscina, visitava exposições e até aprendi a arte de fazer macarons franceses.

Mas, como se costuma dizer, uma pessoa precisa de outra pessoa. Eu queria ter alguém com quem discutir as novidades, reclamar do tempo ou simplesmente assistir a uma série juntos, em silêncio, sentindo a presença do outro ao lado.

Ele entrou na minha vida como um herói de um filme antigo. Nós nos conhecemos em uma pista de dança para pessoas maduras. Ele me convidou para uma valsa, não pisou no meu pé — o que era raro, e encheu a noite com elogios, o que fez minhas bochechas ficarem agradavelmente coradas.

Ele tinha sessenta e sete anos, cabelos grisalhos, postura esbelta, com uma camisa bem passada. Ele parecia um intelectual da velha guarda, contou-me que tinha trabalhado a vida toda como engenheiro, também viúvo, morando com a filha e a família dela.

— Você é uma mulher surpreendente, — ele disse enquanto me acompanhava até o prédio. — Rara. Hoje em dia não fazem mais pessoas assim.

O romance estava se desenvolvendo rapidamente, mas de forma recatada: caminhadas, cafés, sorvetes, longas conversas pelo telefone. Ele era atencioso, nunca reclamava da saúde e nunca pedia dinheiro emprestado, o que para mim era um sinal importante de respeito.

Então, após um mês, chegou o momento que eu estava esperando com um leve tremor. Ele me convidou para jantar em sua casa — para conhecer sua filha.

— Minha filha quer muito te conhecer, — ele disse suavemente. — Eu falei tanto sobre você. Venha, vamos passar um tempo em família.

Eu me preparei como se estivesse indo para a formatura da escola: fiz um penteado, vesti meu melhor vestido.

O apartamento era espaçoso, com tetos altos, molduras de gesso, cheiro de livros antigos e uma leve sensação de tensão.

A filha abriu a porta. Ela tinha trinta anos, mas parecia mais velha. De estrutura grande, com um queixo decidido e um olhar avaliador e experiente, como um inspetor verificando um lote de conservas vencidas.

— Olá, — disse ela friamente, sem nem sorrir. — Entre. Papai já vem.

Eu entreguei um bolo que tinha preparado a manhã toda. Ela o aceitou como se estivesse segurando algo desagradável, e entrou na sala de estar.

A mesa estava ricamente posta: cristais, saladas, pratos quentes. Era evidente que tinham se esforçado. Ele saiu do quarto radiante, imediatamente preocupado em cuidar de mim:

— Sente-se aqui. Filha, sirva salada para a convidada.

O jantar começou bem. Falamos sobre o clima, preços, eventos. A filha ficava principalmente em silêncio, mastigando devagar a carne e me encarando atentamente.

Eu comecei a me sentir desconfortável. Eu me sentia como se estivesse em uma inspeção. Quando a comida quente foi consumida e ele serviu o chá, a filha largou o garfo, limpou a boca com um guardanapo e, olhando diretamente para o meu rosto, perguntou:

— Diga-me, qual é a sua situação financeira?

Eu tremi, engasguei com o chá. A pergunta foi tão inesperada e inadequada que parecia que ela estava perguntando algo extremamente pessoal.

— Desculpe? — perguntei, sem acreditar nos meus ouvidos.

— Situação financeira, — ela repetiu com ênfase. — Aposentadoria? Poupanças? Imóveis? Moradia?

Ele parecia encolher em tamanho, fixando o olhar na xícara, fingindo que havia algo extremamente interessante ali.

— Bem… eu tenho um apartamento, — respondi desajeitadamente. — E por que você pergunta? Isso tem algo a ver com o jantar?

Ela se recostou na cadeira, cruzando os braços no peito:

— Tudo a ver. Somos adultos aqui, vamos ser honestos. Eu preciso saber as condições.

— Que condições? — alternei meu olhar entre a filha e o pai, mas ele continuava examinando o padrão da toalha de mesa.

— Condições de cuidado, — disse ela incisivamente. — Eu estou entregando papai aos seus cuidados. Quero ter certeza de que ele estará confortável, que alguém cuidará dele. Papai precisa de paz e alimentação dietética.

Coloquei a xícara no pires. O som da porcelana na quietude soou como um gong.

— O que quer dizer com «entregar aos cuidados»? — perguntei lentamente. — Quem disse que vou aceitá-lo?

Ela expressou verdadeira surpresa:

— Como assim? Você veio para o jantar. Papai fala sobre você o tempo todo… E se vocês são um casal, viver juntos é lógico, não é?

— Suponhamos, — disse cautelosamente. — Mas um mês é pouco tempo para vida juntos. E por que você acha que seu pai deveria viver comigo?

— Como seria de outra forma? — ela começou a contar nos dedos. — Aqui vive toda a família: eu, meu marido e dois adolescentes. Papai fica perturbado com o barulho. Ele precisa de tranquilidade. E você tem um apartamento, mora sozinha. É o cenário ideal.

Ela falava de maneira tão casual, como se estivesse discutindo uma guarda temporária de um animal de estimação.

— Eu pensei que você ficaria feliz, — continuou ela. — Um homem na sua casa. Pequenos serviços domésticos. Eu teria um alívio: cozinhar, lavar, estudar. E ainda tem papai com sua saúde e caprichos. Para você também não seria ruim: não vou mexer na aposentadoria dele. Ele não é exigente.

Eu olhei para ele:

— E você, por que não diz nada? — perguntei baixinho. — Você também acha que eu deveria ser usada para facilitar a vida da sua filha?

Ele levantou os olhos. Havia tanta tristeza e submissão neles que me assustei.

— A filha só está preocupada, — murmurou ele. — Aqui é apertado, as crianças fazem barulho, e na sua casa é tranquilo, é bom.

Por dentro, tudo fervia. Eu pensei que isso era um romance, atenção, interesse. Mas acabou sendo um processo de seleção para o papel de cuidadora gratuita.

— Sabe de uma coisa, — levantei-me. — Obrigada pelo jantar. A salada estava gostosa.

— Para onde você vai? — franziu o sobrolho a filha. — Ainda não discutimos os detalhes. Quando será a mudança? Há poucas coisas, mas a poltrona preferida precisa ser levada.

Olhei para essa mulher pragmática, que dispôs do destino do pai como se fosse um velho móvel:

— Estou procurando um homem para alegria, não para resolver seus problemas domésticos. Não sou um lar de idosos.

Virei-me para ele:

— E você, não tem nada a me dizer. Um homem que permite que sua filha disponha dele dessa forma não é para mim.

— Mas… — ele começou, mas a filha o interrompeu com a mão.

— Fica quieto, papai! — ela gritou. — Pois bem, seu azar. Papai é um tesouro, aposentadoria boa. Não quer, outra vai querer. Tem uma fila de mulheres solteiras.

Eu fui para o hall de entrada, rapidamente me vesti. Minhas mãos tremiam. Da sala de estar vinha a voz monótona da filha:

— Eu te disse, todas são assim. Só querem dinheiro e diversão. Nenhuma responsabilidade. Papai, vamos chamar a vizinha, ela já está de olho em você há tempos.

Eu caminhei de volta para casa pensando: «Graças a Deus, que tudo foi esclarecido agora, durante o jantar, e não depois de seis meses, quando eu já estaria emocionalmente envolvida».

Os filhos querem viver «por si próprios», empurrando o pai para uma «boa mulher» na velhice. Isso é conveniente, lucrativo, prático. E, infelizmente, muitos aceitam — têm medo de ficar sozinhos, «pelo menos alguém que seja meio seu».

E vocês, o que acham? Fiz a coisa certa ao sair? Ou deveria ter tido pena do homem e aceitá-lo, porque ele não tem culpa de nada?

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