Histórias

Pensei que minha filha estava envolvida com más companhias, mas quando vi para onde ela ia após a escola, não consegui conter as lágrimas…

Tudo começou há três semanas. Percebi que minha filha Marta estava… diferente.

Ela descia para o café da manhã com os olhos vermelhos, bocejava sobre o prato de mingau e colocava o uniforme escolar lentamente. Antes, ela pulava da cama às sete da manhã, animada como uma cotovia. Agora, eu literalmente a puxava para fora da cama.

— Você não está dormindo bem? — perguntei um dia.

— Normal, mãe, — murmurou ela, sem levantar os olhos.

Depois, ela começou a desaparecer depois das aulas. Antes, Marta chegava da escola exatamente às três. Agora, aparecia às cinco, seis, uma vez voltou quase às sete da noite. Para as perguntas, respondia de forma monossilábica: «Estive na casa de uma amiga», «Fizemos um projeto», «Passeamos».

Mas o que mais me preocupava era o cheiro.

Quando ela tirava o casaco no hall de entrada, eu involuntariamente franzia o nariz. As roupas tinham um cheiro estranho e pesado — uma mistura de umidade, terra e algo mais que eu não conseguia identificar. Eu sou uma verdadeira maníaca por limpeza, meu apartamento sempre cheira a lavanda e frescor, eu lavo o chão todos os dias. E minha filha cheirava a… O quê? Um porão? Um lixão?

— Marta, onde você esteve? Que cheiro é esse que você traz?

— Mãe, já chega! — ela retrucou e se trancou no banheiro.

Eu comecei a juntar mentalmente os fatos estranhos. Tênis sujos, escondidos no armário. Manchas nos jeans — sujeira ou algo pior. Mãos arranhadas. Hematomas nos joelhos. E esse cansaço constante, isolamento, falta de vontade de conversar.

Pesadelos surgiam na minha mente. Má companhia. Drogas. Seita. Talvez ela estivesse envolvida com algum homem adulto que a levava para um porão? Eu li sobre isso — como os adolescentes caem nas mãos de pervertidos, como são enganados, intimidado e forçados a ficar em silêncio…

Eu não aguentei mais. Confrontei-a.

— Marta, eu quero saber a verdade. Onde você fica? Com quem você anda?

— Mãe, me deixa em paz!

— Não vou deixar! Você chega em casa suja, cheirando mal, cansada! Você está apaixonada por alguém? Alguém está te obrigando a fazer algo ruim?

Ela me olhou como se eu a tivesse agredido.

— Do que está falando?! Eu só… tenho meus próprios afazeres!

— Que tipo de afazeres uma menina de quatorze anos pode ter?!

— Meus! — ela gritou. — Meus afazeres! Não se intrometa, tá?!

E bateu a porta.

Depois disso, quase não conversamos. Minha filha começou a me evitar, saia de casa logo pela manhã e voltava tarde, respondendo de forma monossilábica a todas as perguntas. Eu sentia que a estava perdendo. E isso era insuportável.

Na sexta-feira, tomei coragem. Peguei um dia de folga e fui até a escola. Esperei no carro, do outro lado da rua, sentindo-me uma idiota. Mas o meu medo pela minha filha era mais forte.

Às três horas, os alunos saíram para a rua. Eu vi Marta — ela estava sozinha, mochila no ombro, fones no ouvido. Passou pelo ponto de ônibus onde geralmente pegava o ônibus para casa e seguiu na direção oposta.

Eu segui atrás, mantendo uma distância segura.

Marta andou por muito tempo. Pelo centro, depois pelos bairros residenciais, em seguida para a periferia da cidade. Eu raramente ia lá: garagens caindo aos pedaços, armazéns abandonados, terrenos baldios. Meu coração batia forte. O que ela estava fazendo ali?

— Meu Deus, no que você se meteu… — murmurei.

Marta virou por um portão enferrujado. Eu me aproximei, olhei para dentro — e congelei.

Era um abrigo. Pequeno, antigo, mas limpo. Cães — grandes, pequenos, peludos, sarnentos — se aproximavam dela, abanavam o rabo, saltavam, lambiam suas mãos. E minha filha estava lá, no meio deles, rindo com uma sinceridade e uma felicidade que eu não via há muito tempo.

Ela se agachou ao lado de um cão magro com a pata enfaixada, acariciou sua cabeça e disse:

— Então, Rex, eu cheguei. Sentiu minha falta?

E ele apoiou o focinho em seus joelhos.

Eu fiquei parada atrás do portão, sem forças para me mover. Todos os meus medos, suspeitas, cenários horríveis — desintegraram-se, como cinzas ao vento.

Minha filha estava apenas ajudando. Apenas amando. Fazendo algo que eu lhe proibira — estar perto dos animais.

De repente, percebi: ela não me contava porque estava fazendo algo errado, mas sim porque temia minha reação. Meu perfeccionismo, minhas regras: «nenhum animal em casa».

Senti-me envergonhada. Tão envergonhada que mal conseguia respirar.

Eu entrei e senti aquele cheiro que não podia identificar — o cheiro de cães, serragem e cloro. Marta se virou, pálida.

— Mamãe? Você… o que está fazendo aqui?

Eu não sabia o que dizer. Aproximei-me, me abaixei ao lado dela e acariciei Rex. Ele pousou o focinho na minha mão, quente e confiante.

— Mamãe… você não gosta de cachorros.

— Talvez eu apenas nunca tenha tentado, — respondi.

Ela me olhou com os olhos arregalados, como se não acreditasse.

Sentamos ali por alguns minutos — entre latidos, cheiros, pelos, sujeira. E pela primeira vez em muito tempo, senti que entendia minha filha.

Fomos para casa em silêncio. Eu pensava em como o medo pode obscurecer sua visão e transformar amor em desconfiança. Sobre como meu perfeccionismo, meu apartamento estéril — eram minha prisão que eu tentava construir para ela também.

À noite, fui a uma loja de animais. Olhei para os filhotes no viveiro. Um — branco, fofo, com uma mancha preta ao redor do olho — veio até o vidro e olhou para mim como se perguntasse: «Então, você vai se decidir?»

Fiquei lá, imóvel. Dentro de mim, duas partes lutavam: a dona de casa, cujo lar brilha e cheira a lavanda… e a mãe, que quer reconquistar a confiança da filha.

Eu não comprei o filhote.

Mas peguei um cartão. E o segurei na mão durante todo o caminho de volta para casa.

Agora estou sentada na cozinha, ouvindo Marta contar ao pai sobre Rex, sobre os filhotes, sobre o abrigo. Ela fala de forma livre, feliz, sem se esconder. E eu fico pensando:

Conseguirei superar meus medos por causa dela? Conseguirei deixar entrar pelos, cheiros, bagunça em casa — se em troca receber a confiança dela? E o principal — estou pronta para me tornar alguém que não proíbe o amor, mas o apoia?

Olho para o cartão da loja de animais. Ele está ao lado da xícara de chá.

E penso: talvez amanhã nós iremos juntas até lá…

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