Histórias

O noivo não apareceu para o casamento — em vez dele, entraram policiais no salão

Nos conhecemos em uma exposição, para a qual eu fui sem muita vontade. Ele estava mostrando suas obras — paisagens surreais, pintadas com tanta precisão que dava vontade de entrar nelas. Quando parei em frente a uma das telas, ele apareceu ao meu lado e perguntou o que eu achava. Eu olhava para ele, não para a pintura, e respondi: é bonito.

Nós nos tornamos inseparáveis. Ele era pobre em qualquer sentido — um pequeno ateliê, telas empilhadas até o teto, tinta nas mãos a qualquer hora do dia. Mas ele era gentil, apaixonado e verdadeiramente talentoso. Quatro meses depois, ele se ajoelhou com um buquê de flores do campo. Eu disse sim antes mesmo de pensar.

Meu pai estava furioso. Dizia: eu conheço ele há seis meses, ele está sem um tostão, sem carro, sem perspectivas. O que ele vê nela além do dinheiro da família? Minha mãe se manteve neutra, mas eu via que ela também não estava entusiasmada. Eu não ouvi. Eu acreditava.

Na manhã do casamento, tudo estava seguindo seu curso. Eu me preparava com as amigas, meu pai estava agitado no salão. O tempo passava e o noivo não aparecia. Eu liguei três vezes — silêncio. Os convidados começaram a trocar olhares.

Então as portas se abriram e dois policiais entraram no salão. Um deles se aproximou de mim e mostrou uma foto. Perguntou se eu conhecia aquela pessoa.

Era ele.

O oficial explicou calmamente: o noivo foi preso tentando roubar a casa da nossa família — enquanto todos estavam na cerimônia. Ele foi pego saindo da cidade.

O salão explodiu em murmúrios. Meu pai já vinha em minha direção no meio da multidão, o rosto vermelho de raiva e triunfo. Ele dizia: eu avisei. Um trapaceiro. Enganou todo mundo.

Eu e meus pais fomos convidados a ir ao local da detenção. Meu pai não esperou um segundo convite. Eu estava sentada no carro com meu vestido de noiva, olhando pela janela. O anel no meu dedo parecia alheio.

Não nos levaram à delegacia. Paramos em um antigo galpão na periferia da cidade.

Dentro, havia latas de tinta por toda parte, pincéis espalhados. O cheiro de solvente tomava conta. E na parede — ao longo de todo o galpão — estava escrito um enorme grafite. Uma noiva com cachos escuros em um vestido branco. O noivo ao lado, segurando sua mão, sorrindo. No canto — «Para sempre seu».

Ele saiu de trás da tela, limpando as mãos na calça jeans. Disse: surpresa.

Acontece que os policiais eram atores. Ele os contratou. Começou a pintar o mural ainda na noite anterior e não conseguiu parar até terminar. Ele dizia: queria dar algo eterno. Algo que mostrasse o quanto ele ama.

Eu queria ficar com raiva. Eu tentei. Mas não consegui.

Corri para ele e o abracei — rindo e chorando ao mesmo tempo.

Meu pai ficou em silêncio por um tempo. Então disse: tenho que admitir — você tem coragem. E talento também. Ainda não confio totalmente em você. Mas você conquistou meu respeito.

Voltamos para a cerimônia. Ele explicou tudo aos convidados. Meu pai fez um brinde.

Naquela noite, no quarto, eu confessei: quando ele não atendeu o telefone, pensei que meu pai tinha conseguido afastá-lo. Ele riu e disse: nada pode afastá-lo de mim.

Então eu lhe dei meu presente: comprei um ateliê para ele — maior, com luz e uma pequena galeria nele. Ele ficou em silêncio por um momento, então disse suavemente: isso é tudo que eu sonhei.

Às vezes o amor não é sobre o momento perfeito ou lógica. É sobre confiança, um pouco de loucura e a disposição de rir entre lágrimas em um vestido de noiva no meio de um galpão antigo.

Você conseguiria perdoar uma “surpresa” dessas — ou isso já é demais?

 

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