O filho trouxe para casa uma idosa que estava congelando na rua, mas o que eu descobri sobre ela depois me deixou em choque…

A noite era comum. Eu estava na cozinha fritando cebola para o jantar e pensando que meu filho estava atrasado novamente após o treino. Do lado de fora, caía uma nevasca, a neve caía como uma parede densa. Eu até pensei que deveria ter ido buscá-lo.
A cebola começou a queimar, e percebi isso tarde demais. O cheiro forte ardeu meus olhos justamente no momento em que a porta da frente se abriu com um estrondo.
Eu já estava prestes a gritar para ele não bater a porta, mas as palavras ficaram presas.
Meu filho estava na porta todo coberto de neve. As bochechas vermelhas de frio. E em seus braços estava uma senhora idosa.
Ela parecia muito pequena. Os cabelos grisalhos grudavam no rosto em mechas molhadas. O casaco pendia nela como um saco. Ela tremia tanto que eu podia ouvir seus dentes batendo.
— Mãe… ela estava sentada no ponto de ônibus. Não conseguia se levantar, — disse ele, ofegante.
Percebi imediatamente que era sério. Corri para ajudar a trazê-la para dentro. Toquei sua mão — estava gelada.
Colocamos ela no sofá. Cobri-a com um cobertor e depois com outro. Ela olhava através de mim.
— Estou com muito frio… — ela sussurrou.
— Ela disse que não consegue se lembrar do próprio nome, — acrescentou meu filho em voz baixa.
Peguei o telefone e chamei a emergência. Minha voz tremia enquanto explicava: senhora idosa, encontrada na neve, congelada, não se lembra quem é.
Quando desliguei o telefone, ela de repente me segurou pelo pulso.
— Não deixe que eles me levem… — ela sussurrou.
Fiquei congelada. Não entendi do que ela estava falando. Mas disse:
— Vai ficar tudo bem.
A ambulância chegou rapidamente. Levaram-na. Um policial fez algumas perguntas. Nome? Endereço? Documentos?
Eu não sabia de nada.
Seguimos para o hospital logo depois. Sentados no corredor claro. Meu filho estava calado.
— Eu não podia deixá-la lá, — ele disse após algum tempo.
Eu o abracei.
— Não deveria mesmo.
À noite eu não conseguia dormir. As palavras dela circulavam na minha cabeça.
De manhã ouvi uma batida na porta.
Suave. Confiante.
Olhei pelo olho mágico. Na varanda estava um homem alto de terno escuro. Sem casaco, embora estivesse frio.
Abri a porta, deixando a corrente de segurança no lugar.
— Estou procurando um menino chamado Jake, — ele disse calmamente.
Por dentro eu estremeci.
— É meu filho.
Ele acenou com a cabeça.
— Ontem foi encontrada uma mulher. Aquela que ele trouxe para casa.
— Ela está no hospital, — eu disse.
— Eu sei.
Ele falava de forma muito calma.
Ele pediu para falar com meu filho. Eu recusei. Disse — fale comigo.
Ele me chamou pelo nome.
Eu me arrepiei.
Então ele mostrou um distintivo. Rapidamente, mas o suficiente.
Trinta e dois anos atrás, ele disse, houve um incêndio. Duas pessoas morreram. Incêndio criminoso. Dinheiro do seguro. Naquela noite desapareceu uma mulher, que era suspeita.
Desde então, ela vivia sob nomes diferentes. Sem documentos. Mudando-se. Até a noite passada.
Lembrei-me de como ela me segurava.
«Não deixem que me levem».
Não foi um delírio. Foi medo.
Meu filho saiu para o corredor.
— Mãe, o que está acontecendo?
Eu fiquei na frente dele.
O homem olhou para meu filho.
— Ele fez uma boa ação. Salvou a vida dela. Mas também nos ajudou a encontrá-la.
— O que acontece agora? — eu perguntei.
Ele disse que tudo depende de mim. Posso contar tudo o que ela falou. Ou posso não falar nada.
Antes de ir, ele acrescentou:
— Ela escolheu o lugar de propósito. Caiu lá onde alguém bondoso a encontraria.
Quando a porta se fechou, eu a tranquei duas vezes.
Meu filho olhou para mim.
— Eu fiz algo errado?
Abracei-o.
— Não. Você fez a coisa certa.
Mas dentro de mim já havia outra conversa acontecendo.
Às vezes a bondade traz não só gratidão. Às vezes leva a consequências.
E agora preciso decidir até onde estou disposta a ir para proteger meu filho.
E você ajudaria um estranho, se soubesse que isso poderia mudar sua vida?




