Histórias

Na reunião de pais, a professora disse sobre o meu filho, na frente de todos os pais: «Para crianças assim, é melhor uma escola de ensino especial — lá vai ser mais fácil para elas.» O meu marido puxou-me pelo braço — «fica calada». Eu não aguentei e o que eu disse àquela professora deixou a turma inteira sem palavras…

O meu filho tem nove anos. Ele é especial — não no sentido em que todas as crianças são especiais. Ele tem dislexia e transtorno de déficit de atenção. Sabemos disso há três anos. Trabalhamos com um terapeuta da fala, com um psicólogo, e ele também tem apoio extra. Ele esforça-se — eu vejo o quanto se esforça. Todos os dias.

Quando o matriculámos na escola, levámos os relatórios dos especialistas. Com recomendações. Explicámos honestamente à diretora de turma o que se passava. Pedimos compreensão. Garantiram-nos — vai correr tudo bem, trabalhamos com crianças diferentes.

A professora era jovem — teria uns trinta anos. Desde o primeiro dia ficou claro que o nosso filho a irritava. Ele não fica sentado direito. Às vezes responde fora de contexto. Às vezes não acompanha o ritmo da turma. Ela fazia observações — eu via nos cadernos dele. Não eram anotações pedagógicas — eram ofensivas. Uma vez escreveu na margem — mais uma vez a sonhar acordado.

Eu calei-me. Dizia a mim mesma — com o tempo vamos nos ajustar. Dê-lhe tempo.

A reunião de pais foi em novembro. Fomos juntos, eu e o meu marido — a primeira vez que os dois fomos ao mesmo tempo. Sentámo-nos na última fila.

A professora falou sobre o desempenho da turma, sobre os testes que se aproximavam. Depois começou a falar dos alunos com dificuldades — no início sem dizer nomes.

Depois disse.

Disse — há crianças para quem a escola regular é difícil. Que atrasam a turma. Para crianças assim, é melhor uma escola de ensino especial — lá vai ser mais fácil para elas e mais tranquilo para os outros.

Todos os pais ficaram em silêncio.

Eu sabia de quem ela estava a falar. Todos sabiam — ela estava a olhar na nossa direção.

O meu marido puxou-me pelo braço. Baixinho, disse — cala-te. Não faças uma cena.

Eu olhei para a professora.

Pensei no meu filho. Em como ele se tinha preparado para a escola de manhã — demorou a atar os atacadores, respirava fundo sobre a mochila. Em como perguntou — mãe, hoje vai haver ditado, tenho um pouco de medo. Eu disse — vais conseguir. Ele perguntou — achas mesmo? Eu disse — acho sim.

Agora ele está em casa a fazer os trabalhos de casa.

E aqui estão a dizer que para ele seria melhor outra escola.

Levantei-me.

O meu marido puxou-me pelo braço com mais força. Eu afastei a mão dele com cuidado.

Disse — posso dizer uma coisa.

Não perguntei à professora — falei para a sala. Para todos os pais.

A professora olhou para mim.

Eu disse — está a falar do meu filho. Estou a perceber bem?

A professora disse — estou a falar de forma geral.

Eu disse — não. A senhora olhou na nossa direção. Por isso eu também vou falar de forma geral.

Eu falava calmamente. Não gritei — nem uma vez. Apenas falei.

Disse que o meu filho tem um diagnóstico oficial, do qual a escola foi informada antes mesmo do início do ano letivo. Que a dislexia e o TDAH não são motivo para uma escola de ensino especial — isso é um facto médico. Que as recomendações dos especialistas que eu entreguei indicam uma escola regular com apoio adicional. Que a expressão atrasa a turma, aplicada a uma criança com particularidades no desenvolvimento, não é uma avaliação pedagógica, mas sim discriminação. E que na manhã seguinte eu iria marcar uma reunião com a direção — com os documentos, com a gravação daquela reunião, que eu estava a fazer no telemóvel desde o início, e com uma queixa ao departamento de educação, se fosse necessário.

Depois acrescentei uma coisa.

Disse — o meu filho esforça-se todos os dias. Ele tem medo dos ditados e, mesmo assim, vai à escola. Isso exige mais coragem do que parece. Peço-lhe que tenha isso em conta.

Na sala, fez-se silêncio.

A professora olhava para mim. Depois para o telemóvel na minha mão.

Disse — eu não me referia especificamente ao seu filho.

Eu disse — muito bem. Então da próxima vez formule as suas palavras de modo que isso fique evidente.

Sentei-me.

O meu marido olhava para mim. Depois pegou na minha mão. Não para me parar — simplesmente pegou.

Depois da reunião, vários pais aproximaram-se de mim. Uma mulher disse — a minha filha tem uma situação parecida. Obrigada por ter falado. Outro pai disse — fez muito bem.

No dia seguinte, fui falar com a direção. Levei todos os documentos, a gravação da reunião, os relatórios dos especialistas.

O diretor ouviu com atenção. Prometeu averiguar.

A professora não foi despedida — mas deixaram de a manter connosco. O novo diretor de turma leu todos os documentos logo no primeiro dia. Escreveu-me — vi que o rapaz se esforça. Vamos trabalhar juntos.

O meu filho ainda tem medo dos ditados.

Mas vai à escola todos os dias.

E eu digo-lhe sempre — vais conseguir.

E é verdade.

Digam-me com sinceridade — fiz bem em levantar-me e dizer tudo ali, na reunião, ou devia ter falado primeiro com a professora em particular?

 

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