Na 35ª semana de gravidez, meu marido me acordou no meio da noite. O que ele disse me levou a pedir o divórcio.

Estávamos juntos há quase nove anos. Nos conhecemos ainda na escola, não tínhamos pressa e demoramos a decidir ter um filho. Foram três anos de tentativas, exames, injeções hormonais, lágrimas no banheiro do trabalho. Depois, finalmente, as duas linhas no teste. Meu marido chorou de felicidade. Pintamos o quarto do bebê juntos, escolhemos nomes, montamos o berço. Parecia que nosso sonho havia se tornado realidade. Mas quanto maior ficava minha barriga, mais distante ele se tornava. Chegadas tardias, cheiro de cerveja, beijos distraídos na bochecha.
Eu atribuía tudo ao estresse de se tornar pai. Na 35ª semana, eu mal conseguia andar — minhas costas doíam constantemente, minhas pernas estavam inchadas, e o médico alertou que o parto poderia começar a qualquer momento. Naquela noite, meu marido ligou dizendo que traria amigos para assistir ao jogo. Eu estava exausta demais para discutir. Dormi ao som da televisão e das risadas vindo da sala.
Acordei com a mão dele em meu ombro. Ele estava ao lado da cama, nervoso, evitando olhar nos meus olhos. Disse que os amigos falaram sobre o tempo da gravidez e que ele começou a ter dúvidas. Que queria fazer um teste de DNA antes do nascimento do bebê. Que eu não seria tão «defensiva» se não tivesse nada a esconder. Eu lembrei a ele de como ele segurou a imagem do ultrassom, como escolheu o nome, como montamos o berço juntos. Ele cruzou os braços e disse: «Talvez eu simplesmente não te conheça mais». Algo em mim quebrou.
Não de forma barulhenta — silenciosa e definitivamente. Eu disse a ele que pediria o divórcio. Ele deu de ombros: «Faça o que quiser». Sem desculpas. Sem luta. Simplesmente saiu e continuou rindo com os amigos na sala. De manhã, quando ele saiu para trabalhar, liguei para minha irmã. Ela apenas disse: «Arrume suas coisas. Você vem para minha casa». Peguei minha mala de hospital, a imagem do ultrassom, a foto da minha mãe e o pequeno macacão com a inscrição «Estrelinha do Papai» — não sei bem por que. Tirei o anel, deixei-o no escritório ao lado de um bilhete e saí. Três semanas depois, em uma terça-feira chuvosa, o parto começou. Dei à luz sem ele.
Quando colocaram minha filha em meus braços, compreendi uma coisa: ele não merecia conhecer a melhor parte de mim. Eu a chamei de Lili — em homenagem às flores que minha mãe cultivava. Três dias depois, alguém bateu na porta do quarto. Era ele. Parecia abatido, com os olhos vermelhos, quase irreconhecível. Disse que acreditou nos amigos, que deixou o medo dominar, e se odiava por isso. Pediu para não oficializar o divórcio. Prometeu provar por ações, não por palavras.
Olhei para ele por um longo tempo e então disse: prove. Ele ficou no hospital a noite inteira — trocou fraldas, embalou nossa filha, ajudou-me a caminhar pelo corredor. Após a alta, vinha todos os dias. Trazia mantimentos, limpava a casa, segurava a bebê enquanto eu dormia. Sem pressão, sem palavras desnecessárias. Uma noite, fui até a sala e o vi dormindo no sofá com nossa filha no peito — ela segurava sua camisa com o punho minúsculo.
Foi nesse momento que eu entendi que o perdão não vem imediatamente. Ele começa nos momentos silenciosos. Fomos à terapia. Conversamos longamente e com sinceridade. Três meses depois, voltamos a morar juntos — não para continuar de onde paramos, mas para começar algo novo. Toda noite, após o banho, ele a beija na testa e sussurra: «Papai está aqui». E algo dentro de mim se acalma.
E você, daria uma segunda chance a alguém depois de uma traição assim — ou essa seria a linha onde tudo termina?




