Histórias

Minha irmã gêmea veio até mim à noite toda machucada. Após descobrir que foi o marido dela que fez isso, decidimos trocar de lugar e ensinar a ele uma lição que ele certamente não esquecerá…

Naquela noite, a chuva batia na janela mais uma vez. Já chovia há vários dias consecutivos, tornando tudo ao redor cinza e pegajoso, como se o próprio céu estivesse cansado. Eu estava sentada na cozinha, mexendo em um chá que já havia esfriado há muito tempo, tentando me livrar de uma sensação de inquietação que não me deixava.

A campainha tocou inesperadamente. O gato se assustou e pulou do parapeito da janela. Eu fiquei tensa: a essa hora, ninguém simplesmente vem me visitar.

Olhei pelo olho mágico e congelei. Minha irmã estava na soleira. Seus cabelos estavam molhados de chuva, um casaco jogado sobre a roupa de casa. Mesmo através do vidro embaçado, dava para ver que algo terrível havia acontecido.

Quando abri a porta e a luz caiu sobre seu rosto, senti tudo desmoronar por dentro. Um dos olhos mal se abria, cercado por um hematoma escuro. Na bochecha, um corte fresco. Os lábios estavam inchados. Ela estava se segurando com o que restava de força.

Ajudei-a a tirar o casaco e notei os pulsos — marcas azul-arroxeadas, como se alguém tivesse segurado com força e não soltado.

— Foi ele? — perguntei baixinho. — Seu marido?

Ela não respondeu com palavras, mas seu olhar dizia tudo: cansaço, dor, vergonha e desespero. Somos gêmeas, e eu conhecia aquele olhar bem demais. Ver isso no rosto dela era insuportável.

Desde a infância, éramos confundidas. Somos quase idênticas — altura, voz, expressões faciais. Com o tempo, surgiram pequenas diferenças, mas para os outros ainda éramos como um reflexo no espelho.

Então, um pensamento surgiu na minha cabeça. Perigoso. Louco. Mas surpreendentemente claro.

E se trocássemos de lugar?

E se na casa dele não estivesse uma mulher assustada, a quem ele estava acostumado, mas alguém que não sente medo dele?

Olhei para minha irmã e percebi: ela estava pensando o mesmo.

A decisão foi tomada quase sem palavras.

No dia seguinte, fui para a casa dela no lugar dela. Exteriormente, tudo estava perfeito: a mesma roupa, o mesmo penteado, o mesmo jeito calmo de se comportar. Eu falava pouco, como ela normalmente fazia. Mas, por dentro, estava diferente. Eu não tinha medo.

Ele percebeu isso quase imediatamente.

Primeiro, apenas olhou por mais tempo do que o normal, como se tentasse entender o que havia mudado. Depois, começou a implicar com detalhes: como eu estava sentada, uma resposta diferente, o tom de voz.

— Você perdeu completamente o medo? — disse ele asperamente.

Olhei-lhe nos olhos em silêncio. Minha irmã sempre abaixava o olhar nessas situações. Eu não.

Isso o enfureceu. Ele começou a gritar, andar pela sala, gesticular com as mãos. Ficava cada vez mais furioso, como se não compreendesse por que a reação habitual havia desaparecido. E em um certo momento, fez aquilo que sempre fazia.

Levantou a mão.

Então, lembrei-me de quem realmente sou. Dos anos de treinamento atrás de mim. Que sou uma ex-campeã de artes marciais mistas. Que sei como me defender.

Não pensei duas vezes. Um passo rápido à frente. Um agarramento.

Em alguns segundos, ele já estava no chão, lutando para respirar, sem entender o que acontecera. Seu rosto estava pálido, olhos arregalados. Começou a bater com a palma da mão no chão, tentando se soltar, suplicando para ser liberado.

Eu me inclinei até ele e disse calmamente:

— Se você levantar a mão contra minha irmã de novo, da próxima vez não serei tão contida.

Eu o soltei e saí.

Alguns dias depois, minha irmã pediu o divórcio e foi embora definitivamente. Ele nunca mais se aproximou dela.

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