Histórias

Meu vizinho rico construiu uma cerca no meu terreno enquanto eu estava de férias — eu dei a ele uma lição que ele nunca esquecerá

A vida de mãe solteira não é fácil, mas eu estou dando conta. Tenho 40 anos e cuido sozinha dos meus dois filhos — de dez e oito anos — há mais de um ano, desde que me separei do pai deles.

Há cerca de dois meses, comprei uma nova casa e me mudei com as crianças. Bairro tranquilo, uma linda floresta por perto. Tudo parecia perfeito, até que conheci o vizinho.

Eu nunca vou esquecer nosso primeiro encontro.

Passou apenas um dia desde a mudança quando alguém bateu à porta. Na entrada estava um senhor idoso com uma pasta na mão. Ele sorriu, estendeu a mão e se apresentou. Que vizinho agradável, pensei na hora. Quem dera eu soubesse o que estava por vir.

Ele abriu a pasta e informou que os proprietários anteriores haviam assinado um contrato permitindo-lhe construir uma cerca na divisa dos terrenos. E que ele começaria a construção na próxima semana.

Eu não podia acreditar no que ouvia. Ele nem sequer pediu permissão.

Aquele contrato era com os antigos proprietários, eu disse. Agora sou eu a proprietária, e eu não quero que a cerca bloqueie a vista e a luz.

O rosto dele ficou vermelho. Ele começou a gritar, dizendo que planejou essa cerca por meses para ter privacidade — para que os convidados das suas festas no jardim não ficassem olhando para o meu quintal.

Desculpe por existir, pensei.

Eu não permiti que ele construísse. Desde então ele discutia isso comigo quase toda semana. Mas eu mantive minha posição.

Algumas semanas depois, decidi levar as crianças em umas férias tão esperadas. Os meninos estavam animados, íamos para a praia — construir castelos de areia e relaxar.

Se eu soubesse o que nos esperava na volta.

Quando entramos na entrada da garagem, algo logo pareceu estranho. Pedi para as crianças ficarem no carro e saí. A cada passo em direção à casa meu sangue fervia mais.

Bem na frente das nossas janelas, a um metro do vidro, estava uma cerca alta de madeira. No meu terreno.

O que é isso? — escapou de mim em voz alta.

As crianças saíram correndo do carro. O mais velho franziu a testa e disse que agora não dava para ver as árvores. Meu coração ficou apertado.

Aquela cerca bloqueava a vista que meus meninos tanto amavam. O céu, a floresta — tudo desapareceu atrás das tábuas de madeira.

Eu não podia deixar isso assim. Tinha duas opções: o caminho legal, longo e desgastante, ou resolver a questão com minhas próprias mãos.

Escolhi a segunda.

Naquela mesma noite, fui a uma loja de animais.

Preciso do spray atrativo para animais, disse ao vendedor com o sorriso mais inocente. O mais forte que você tiver.

Quando o bairro estava dormindo, saí para o quintal e espalhei o frasco inteiro de solução feromônica em cada centímetro da cerca. O produto era destinado a atrair cachorros em treinos. Mas eu suspeitava que não atrairia apenas cães.

Repeti isso por várias noites seguidas. E então esperei.

Não precisei esperar muito.

Certa noite, ao levar o lixo para fora, vi um cachorro de rua marcando território junto à cerca. Tive que cobrir a boca para não rir.

Nos dias seguintes, começaram a aparecer raposas, guaxinins e até um alce. Todos achavam a cerca do vizinho o lugar ideal para suas necessidades.

Eu observava pela janela, quando o vizinho descobriu o que estava acontecendo pela manhã. Seu rosto adquiriu um impressionante tom de roxo.

Mas, para minha surpresa, ele não derrubou a cerca. Começou a lavá-la.

Todos os dias de manhã ele aparecia com um balde e uma escova, resmungando para si mesmo. Mas por mais que ele limpasse, o cheiro dos feromônios não desaparecia. Os animais voltavam noite após noite.

Logo o cheiro ficou insuportável. Até meus meninos começaram a perceber.

Mãe, está fedendo lá fora, disse o mais novo, tapando o nariz. Podemos brincar dentro de casa hoje?

Aguentem mais alguns dias, eu disse. Meu plano tem que dar certo.

No dia seguinte, ao voltar do mercado, vi uma vizinha mais velha batendo na porta dele. Eu diminuí o passo, fingindo verificar o correio.

Ela estava dizendo que o cheiro no quintal dele era insuportável e estava se espalhando pelo bairro todo. Exigia que ele resolvesse o problema imediatamente.

Quando ela foi embora, o vizinho capturou meu olhar. No rosto dele havia uma expressão que eu nunca tinha visto antes — algo parecido com vergonha. Eu sorri e entrei em casa.

Aquela noite ele atacou a cerca com todos os produtos de limpeza que encontrou. Esfregou, borrifou, esfregou de novo. No fim, largou a escova e voltou para casa derrotado.

Na manhã seguinte eu acordei com barulhos na rua. Espiei pela janela e pisquei várias vezes, sem acreditar no que via.

O vizinho estava coordenando uma equipe de trabalhadores desmontando a cerca.

Meu plano funcionou.

Acordei os meninos. Eles correram para a janela, com os olhos arregalados.

Mãe, conseguimos ver as árvores de novo! exclamou o mais novo.

O mais velho me deu um abraço apertado. Você é a melhor, mãe!

A vista estava restaurada.

Mas a história não terminou aí.

Mais tarde naquele dia o vizinho veio até mim, enquanto eu trabalhava no jardim. Ele pigarreou. Disse que queria se desculpar. Que não deveria ter construído a cerca sem minha permissão. Que estava errado. Que no futuro respeitaria minha propriedade e meus direitos como vizinha.

Desculpas aceitas, sorri. Vamos começar de novo?

Eu gostaria, ele respondeu.

Quando ele foi embora, eu não pude deixar de sentir orgulho. Eu protegi a mim mesma e aos meus filhos, e no final tudo se resolveu.

Às vezes a vida te coloca em situações onde é preciso ser criativo para encontrar uma solução. O principal é não ter medo de agir.

O que você faria no meu lugar — seguiria o caminho legal ou também tomaria a situação nas suas próprias mãos?

 

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