Histórias

Eu estava experimentando um vestido para o meu aniversário de 50 anos — lindo, do jeitinho que eu queria. Saí do provador. Minha mãe me olhou de cima a baixo e disse, na frente da vendedora: «Isso já não é apropriado para a sua idade. Olhe bem para você.» Eu olhei. No espelho. Por um longo tempo. E então fiz algo — algo que minha mãe jamais esperaria de mim.

Procurei o vestido durante três semanas. Não porque eu fosse exigente — eu simplesmente queria exatamente aquilo. Não algo sério, sem graça, não uma roupa daquelas que se usa só para parecer respeitável. Eu queria algo bonito. Vibrante. Meu.

Não é todo dia que se faz cinquenta anos.

Minha mãe se ofereceu para ir comigo. Eu aceitei — achei que seria agradável. Nós duas, como antigamente, andando pelas lojas. Ela sempre soube escolher — ou pelo menos sabia. Ou talvez eu só achasse isso.

Passamos por várias lojas. Na terceira, eu o encontrei.

Cor de esmeralda. Comprido. Com os ombros de fora. Peguei o vestido nas mãos e senti na mesma hora — é esse. É ele.

Entrei no provador. Vesti.

Olhei no espelho.

Gostei. Gostei de verdade — não daquele jeito em que você diz a si mesma “ah, tudo bem, serve”. Mas daquele outro, quando você olha e pensa — sim. Sou eu.

Saí para mostrar à minha mãe.

Ela estava diante do espelho do lado de fora. Ao lado dela estava a vendedora — uma moça jovem, de uns vinte e cinco anos.

Minha mãe me examinou. De cima a baixo. Devagar.

Depois disse — isso já não é apropriado para a sua idade. Olhe bem para você.

Na frente da vendedora. Que estava a dois metros de distância e ouviu cada palavra.

Olhei para a minha mãe.

Depois olhei para a vendedora. Ela desviou o olhar — fingindo estar muito ocupada com um cabide.

Virei-me para o espelho.

Fiquei me olhando por um longo tempo.

Para o vestido cor de esmeralda. Para os ombros descobertos. Para mim aos cinquenta anos.

E pensei — minha mãe me diz isso há quarenta anos. Não exatamente essas palavras — mas isso. Você ri alto demais. Para que essas cores tão chamativas? Esse corte de cabelo não combina com você. Olhe bem para você.

Durante quarenta anos eu olhei. E via aquilo que ela dizia. Não o que eu mesma via — mas o que ela dizia.

Olhei no espelho.

E vi uma mulher com um vestido bonito, que lhe caía bem.

Virei-me para a vendedora.

Disse — vou levar.

A vendedora olhou para mim — rapidamente, com uma certa ternura. E disse — excelente escolha. Ficou lindo em você.

Minha mãe disse — pois eu acho um erro.

Virei-me para ela.

Disse — mãe. Eu tenho cinquenta anos. Sou eu quem decide o que é apropriado para a minha idade.

Ela disse — eu só estou dizendo o que penso.

Eu disse — eu sei. Você sempre diz o que pensa. Mas hoje eu vou dizer o que penso eu. Este vestido é bonito. Ficou bem em mim. Eu vou levá-lo. E peço a você — na frente da vendedora, dos convidados, de quem quer que seja — que não me diga mais como eu devo parecer na minha idade. Este é o meu corpo, a minha idade, a minha celebração.

Minha mãe ficou em silêncio.

A vendedora olhava para o caixa — olhava para o caixa com muita atenção.

Entrei no provador. Troquei de roupa. Saí com o vestido nas mãos.

Fui até o caixa. Paguei.

Saímos da loja. Caminhamos até o carro em silêncio.

Depois minha mãe disse — você ficou magoada.

Eu disse — não. Só disse o que penso. Como você.

Ela ficou calada por um instante. Depois disse — você sempre foi teimosa.

Eu disse — talvez.

Na comemoração do aniversário, fui com aquele vestido. Esmeralda, com os ombros de fora.

Uma amiga disse — meu Deus, você está deslumbrante. Meu marido não tirou os olhos de mim a noite inteira. Minha filha me fotografou e disse — mãe, guarde esta foto. Você está tão… você nela.

Minha mãe também foi. Ficou sentada à mesa. Olhando para mim.

Em certo momento, ela se aproximou. E disse baixinho — o vestido é bonito. Você está muito bem.

Eu disse — obrigada, mãe.

Ela voltou para a mesa.

Talvez isso tenha sido difícil para ela. Talvez não. Não sei.

Mas ela disse.

Dancei a noite inteira. Com meu vestido esmeralda. Aos cinquenta anos.

Apropriadamente para a minha idade.

Diga com sinceridade — fiz certo em dizer tudo à minha mãe na frente da vendedora, ou conversas assim devem acontecer apenas em particular?

 

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