Histórias

Descobri a traição do meu marido por acaso, mas planejei minha vingança de forma que ele perdeu não apenas a família, mas também sua reputação…

Tenho trinta e cinco anos, sou mãe de dois filhos e casada há dez anos. Não é um casamento de contos de fadas — é comum. Levamos as crianças para a escola, fazemos compras, compartilhamos calendários, e curtimos noites de cinema com pipoca aos sábados. Para os outros, parecemos uma família onde tudo está bem. Por dentro — um pouco caótica, um pouco barulhenta, um pouco cansada, mas forte. Pelo menos, era o que eu pensava.

Aquele sábado parecia normal. O shopping estava cheio de gente. Eu planejava comprar presentes de aniversário, um novo par de jeans e, quem sabe, algo de promoção para mim.

Antes de entrar, recebi uma mensagem do meu marido — ele pediu para eu pegar algumas meias para ele. Típico. Ele sempre lembrava dessas coisas no último momento. Sorri, revirei os olhos e perguntei de que cor ele queria. Não houve resposta.

No meio das compras, quando já estava no departamento masculino, a tela do meu celular apagou. A bateria havia acabado. Apertei os botões — em vão. A irritação aumentava porque meu marido era estranhamente exigente com as meias — certa maciez do algodão, certo comprimento. Certa vez, comprei as erradas, e ele usou pares diferentes por uma semana em protesto.

Entrei em uma pequena loja de roupas perto da praça de alimentação e fui até a caixa — uma jovem de uns vinte e dois anos com delineador impecável e um rabo de cavalo despreocupado.

Expliquei a situação — meu celular estava sem bateria, precisava rapidamente ligar para meu marido para saber sobre as meias. Ela deu de ombros e me ofereceu seu telefone desbloqueado.

Disquei o número de cabeça — ainda me orgulhava de lembrar dele após tantos anos. Porém, assim que digitei o último dígito, o contato apareceu automaticamente.

«Meu amor».

Fiquei paralisada.

Não sei quanto tempo fiquei ali parada com o telefone na mão. Aquelas palavras queimavam minha mente como ácido. «Meu amor» — era o nosso apelido. Como ele me chamava quando estava sendo carinhoso. O que você diz para alguém a quem pertence seu coração.

Minhas mãos esfriaram, minha garganta se fechou. O barulho da loja se transformou em um rugido surdo. O número do meu marido estava no telefone de outra pessoa. E tudo o que eu pensava sobre ele, sobre nós — começou a desmoronar.

O rosto da caixa mudou — confusão, depois horror, depois pânico. Ela gaguejou, tentando dizer algo. Perguntei com uma voz fria e trêmula por que meu marido estava salvo como «Meu amor» em seu telefone.

Ela abriu a boca, mas as palavras não saíam. Apenas lágrimas — rápidas demais para ela piscar.

Ela sussurrou que não sabia que ele era casado. Ele disse a ela que era solteiro. Que estava resolvendo algo no trabalho e que quando acabasse — eles estariam juntos. Que queria se casar com ela.

As paredes da loja pareciam se mover. Eu não conseguia respirar. Dez anos, dois filhos, hipoteca, filmes noturnos, piadas internas, pijamas de Natal combinando. E meu marido era o «amor» de alguém.

Eu não chorei. Ainda não. Apenas olhei para ela, tentando encontrar sentido, esperando que fosse algo diferente. Então ela disse mais uma frase, que quebrou os últimos pedaços da realidade.

Hoje ele disse a ela que ia jogar golfe com um amigo.

Fiquei paralisada. Ele me disse que ficaria até mais tarde no trabalho.

Duas mentiras em um dia. Ele não estava jogando golfe nem trabalhando. Ele estava apagando seus rastros.

Deveria ter ido embora, voltado para casa, gritado, feito as malas, ligado para um advogado. Mas a raiva tem sua própria gravidade. E ela parecia tão brava, tão traída, tão usada quanto eu.

Ela endireitou-se e perguntou onde ele trabalhava. Eu disse — e saímos da loja rumo a uma tempestade que eu não conseguia ver se aproximando.

Quando dei a partida no carro, ela já estava com o cinto de segurança ao meu lado.

No escritório do meu marido, a recepcionista disse que ele tinha saído ao meio-dia. Nós trocamos olhares. Ele não estava jogando golfe, nem trabalhando. Ele estava em outro lugar.

Então lembrei do segundo telefone. Ele o mantinha em uma gaveta em casa, dizendo que era só para emergências. Mas uma vez vi que ele estava sincronizado com o principal — a mesma conta, os mesmos aplicativos, a mesma geolocalização. Ele achava que eu não tinha notado.

Eu notei.

Cheguei em casa, tirei o telefone da gaveta — a bateria ainda estava carregada. Abri o rastreamento de localização. Um ponto azul piscava na tela. Um restaurante nos arredores da cidade.

Nós não hesitamos.

Do estacionamento, vimos ele através da janela ampla — meu marido. Rindo, relaxado. Como alguém sem segredos. Na frente dele estava sentada uma moça com um casaco de grife, cabelo liso, batom vermelho.

Olhei mais de perto, meu coração batia forte. O reconhecimento me atingiu como um tapa. A filha do chefe dele. Eu a tinha visto em fotos corporativas.

Algo dentro de mim se quebrou.

A caixa pegou o telefone e tirou fotos. Claras. Irrefutáveis.

Nessa noite, não disse nada. Preparei massa para o jantar, como de costume. Ri de suas piadas apáticas. Acenei com a cabeça quando ele reclamou de quão estressante seria a apresentação do dia seguinte. Ele andou pela sala, ensaiando, enquanto eu dobrava as roupas e fingia não ver quem ele havia se tornado.

Antes de dormir, ele verificou o pen drive — toda a apresentação estava lá. Disse que aquele pitch poderia mudar tudo. Sorri e desejei boa sorte. Ele me beijou na testa, disse que me amava e dormiu.

Enquanto ele dormia, abri silenciosamente seu laptop, inseri o pen drive e apaguei todos os arquivos. Depois, carreguei as fotos — ele com a filha do chefe, rindo, inclinados um para o outro, compartilhando a sobremesa. Claras como cristal, perfeitamente ordenadas. Sem ambiguidades. Sem desculpas.

Na manhã seguinte, ele foi para a reunião como um confiante. Eu não estava lá, mas ouvi. Ele conectou o pen drive, apertou «Iniciar apresentação».

E lá estava ele — em tela cheia, sorrindo como o traidor que era. Na frente de todo o conselho. Incluindo o chefe. Especialmente o chefe.

Ele foi demitido antes do meio-dia. Às duas da tarde, toda a indústria já sabia. Uma amiga me escreveu dizendo que eu não apenas queimei a ponte — eu a apaguei do mapa.

Eu pedi o divórcio na mesma semana. Sem escândalos, sem segundas chances. Apenas papéis e custódia completa dos filhos. Ele não resistiu — não podia. Não com o que eu tinha.

A caixa veio me visitar no fim de semana seguinte. Sentamos na minha cozinha, tomando chá como velhas amigas. Sem amargura, sem malícia. Apenas um entendimento silencioso.

Ela disse que ele mentiu para nós duas. Assenti e sorri levemente. Sim. Mas pelo menos agora as mentiras dele acabaram.

O que você faria se descobrisse a verdade de forma tão acidental?

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