Convidei um homem de 47 anos para o meu aniversário, e ele veio sem presente nem flores. Sua desculpa foi pior do que eu esperava…

Eu hesitei por um tempo sobre convidá-lo para o meu aniversário. Estávamos juntos há apenas cinco meses. Ele é mais velho que eu, tem 47 anos. Sério, racional, gosta de repetir que “na vida o que importa são ações, e não as aparências.” Eu queria acreditar que por trás dessa compostura adulta havia calor.
Este ano decidi comemorar meu aniversário em um restaurante. Uma sala pequena, apenas amigas próximas e ele. Eu mesma organizei tudo. Reservei a mesa, fiz adiantamento, escolhi o bolo. Comprei um vestido novo, embora já fazia tempo que não comprava nada para mim. Queria parecer bonita. Queria me sentir amada.
As amigas vieram com buquês, caixas e palavras calorosas. Eu abraçava cada uma delas e sorria. E ficava olhando para a porta o tempo todo. Ele estava atrasado.
Quando finalmente entrou, percebi imediatamente — não tinha nada nas mãos. Nem sacola, nem flores. Nada. Ele caminhou calmamente até a mesa, me deu um beijo na bochecha e se sentou. Eu esperei. Talvez tenha deixado no carro? Talvez um surpresa depois?
Não houve nada.
Eu perguntei baixinho:
– Você não esqueceu de nada?
Ele me olhou com um leve espanto e respondeu:
– Mas você já tem tudo.
Disse isso de forma tão natural, como se fosse um argumento lógico. Como se eu devesse ficar envergonhada por perguntar.
Eu sorri. Porque havia pessoas ao redor. Porque não queria fazer uma cena. Porque sou uma mulher adulta e “a felicidade não está nos presentes.” Repetia isso para mim mesma a noite inteira.
Mas por dentro algo se apertou.
Não se trata de dinheiro. Eu não esperava joias ou grandes surpresas. Mesmo uma flor. Uma. Comprada pelo caminho. Qualquer uma. Não é sobre o preço. É sobre a atenção.
A noite toda ele ficou ali, comendo, bebendo, contando algumas histórias sobre o trabalho. Quando as amigas me davam presentes, ele fazia piadas:
– Agora certamente você não precisa mais comprar nada o ano todo.
Todos riram de forma constrangedora.
Quando trouxeram o bolo, apaguei as velas e fiz um pedido. E naquele momento percebi que não estava desejando viagens, nem saúde. Eu pedi para ter ao meu lado alguém que ache importante me alegrar. Simplesmente. Sem cálculos.
Após o restaurante, ele me acompanhou até em casa. Sem pedidos de desculpas, nem mesmo um indicativo de que entendia que eu estava chateada. Pelo contrário, disse:
– Por que está tão quieta? Tudo correu bem.
Pela primeira vez, respondi honestamente:
– Eu fiquei magoada.
Ele suspirou.
– Você é adulta. Você realmente precisa dessas formalidades?
Formalidades.
Eu não dormi a noite inteira. Essa frase se repetia na minha cabeça. “Mas você já tem tudo.” E de repente percebi que não era sobre o presente. É sobre a atitude. Sobre o fato de que meus sentimentos para ele são uma “formalidade.” Meu aniversário, uma formalidade. Minha felicidade não é prioridade.
Eu me lembrei que ele nunca me trouxe flores. Como esquecia de retornar minhas ligações. Como dizia que “a mulher deve ser independente.” E eu era. Eu mesma ganho meu dinheiro. Resolvendo meus próprios problemas. Pago minhas contas. Mas será que a independência anula o direito de ser amada?
No dia seguinte, ele me escreveu:
“Obrigado pela noite. Estava delicioso.”
Estava delicioso.
Nem uma palavra sobre mim. Nem uma palavra sobre o fato de que foi o meu dia.
E então percebi que se eu aceitasse aquilo, só iria piorar. Hoje, sem presente. Amanhã, sem apoio. Depois, sem respeito.
Escrevi para ele dizendo que seria melhor pararmos por aqui. Ele respondeu brevemente:
– Por uma bobagem dessas?
Talvez para ele fosse bobagem. Mas para mim, foi um indicador. Um indicador de como ele me vê na sua vida.
Eu não quero ao meu lado alguém que pensa que se uma mulher “tem tudo,” ela não precisa de nada. Nem atenção. Nem esforço. Nem cuidado.
Já se passaram alguns meses desde então. Às vezes eu penso se não fui muito dura. Talvez tenha exagerado mesmo? Talvez devesse ter sido mais descontraída?
Mas então lembro-me de como estava sentada no restaurante com meu vestido novo, com um sorriso no rosto e um nó na garganta. E entendo: não. Naquele dia, eu simplesmente escolhi a mim mesma.
Digam-me honestamente, vocês conseguiriam aceitar palavras assim no seu aniversário? Ou para vocês também isso não é “formalidade,” mas um indicador de quão importantes vocês são para a pessoa?




