Histórias

Após me tornar doadora de rim para meu marido, descobri que ele me traía com minha irmã. E então o carma entrou em ação…

Tenho quarenta e três anos. Até recentemente, minha vida parecia estável e segura. Conheci meu marido aos vinte e oito anos. Ele era encantador, fácil de lidar, sabia me fazer rir. Casamos dois anos depois, tivemos dois filhos, compramos uma casa no subúrbio. Festas escolares, jantares em família, uma vida comum e tranquila. Eu achava que podia contar com isso.

Dois anos atrás, tudo começou a mudar. Meu marido começou a ficar cansado rapidamente, reclamava de fraqueza. Após um exame de rotina, recebemos uma ligação do médico pedindo para irmos rapidamente. Sentamos no consultório do nefrologista quando ouvimos o diagnóstico: doença renal crônica, falência dos órgãos, precisava de um transplante.

Eu disse que seria doadora antes mesmo de olhar para meu marido. Ele tentou recusar, disse que não podia aceitar isso. Eu o interrompi e pedi aos médicos para me testarem. Eu via como ele estava emagrecendo, como as crianças perguntavam sussurrando se o pai iria morrer. Eu daria tudo que tivesse.

Quando me disseram que eu era compatível, chorei no carro. Meu marido segurou meu rosto com as mãos e repetia que não me merecia, que passaria a vida pagando por isso. Naquele momento parecia comovente. Mais tarde — amargamente irônico.

A cirurgia e a recuperação foram difíceis. Ficou uma cicatriz e a sensação de que fui atropelada por um caminhão. Para ele, um novo rim e uma segunda chance. À noite, deitávamos lado a lado, ambos fracos e assustados. Ele dizia que éramos uma equipe, que estávamos juntos contra o mundo. Eu acreditava.

A vida lentamente voltou ao normal. Voltei ao trabalho, ele também, e as crianças voltaram à escola. Se fosse um filme, teria um final feliz aqui. Mas em vez disso, surgiu uma estranha tensão. Meu marido estava sempre no telefone, ficava até tarde fora, tornou-se irritadiço e distante. Convenci-me de que a doença muda as pessoas, que ele precisava de tempo.

Certa vez, disse que sentia que ele estava se afastando. Ele suspirou e respondeu que após a cirurgia não sabia mais quem era, que sentia pressão e culpa, que precisava de espaço. Eu me afastei. E ele se afastou ainda mais.

Na sexta-feira, quando tudo desabou, pensei que estava tentando salvar nosso casamento. As crianças estavam na casa da minha mãe, meu marido dizia que estava atolado em trabalho. Decidi fazer uma surpresa: limpei a casa, acendi velas, vesti lingerie bonita, pedi a comida favorita dele. No último momento percebi que esqueci a sobremesa e fui à padaria. Fiquei fora vinte minutos.

Quando voltei, o carro dele já estava em casa. Sorri, mas ao me aproximar da porta ouvi risos. De mulher. Muito familiar. Era minha irmã mais nova.

Entrei em casa, caminhei pelo corredor e abri a porta do quarto. O tempo não desacelerou como nos filmes. Ele simplesmente continuou. Minha irmã estava de pé perto da cômoda, cabelo bagunçado, camisa desabotoada. Meu marido apressadamente vestia as calças. Ele disse algo idiota como “você voltou cedo”.

Coloquei a caixa de sobremesa e comentei que eles tinham levado o apoio familiar a um novo nível. Em seguida, me virei e saí.

Saí sem destino, ignorando as ligações do meu marido, da minha irmã, da minha mãe. Parei no estacionamento de uma farmácia e liguei para uma amiga. Em vinte minutos ela estava ao meu lado e disse que eu não voltaria para lá. Meu marido chegou mais tarde, bateu na porta, queria conversar. Saí para ouvir o que ele tinha a dizer.

Ele disse que era complicado, que após a cirurgia estava difícil, que minha irmã o ajudava a lidar com isso. Perguntei há quanto tempo isso durava. Ele respondeu — desde o Natal. Lembrei-me de como ela estava ao lado dele na cozinha, como ele a abraçava pela cintura enquanto as crianças abriam os presentes.

Na manhã seguinte, liguei para o advogado e disse que queria o divórcio. Eu não confiava mais nele. Ele mandava mensagens, pedia desculpas, prometia consertar tudo, mas eu sabia que a imagem dele com minha irmã nunca desapareceria.

Concentrei-me nas crianças, no trabalho e na recuperação. E então uma coisa estranha começou a acontecer. A empresa dele começou a ser investigada. Descobriu-se que ele estava envolvido em fraudes financeiras. Mais tarde, soube-se que minha irmã ajudava ele a transferir dinheiro. Ela me mandou mensagens de um número desconhecido, justificando-se, mas eu a bloqueei.

Em uma das consultas médicas, o médico disse que meu rim remanescente estava funcionando perfeitamente. Perguntou se me arrependia de ter doado. Respondi honestamente: me arrependo de para quem doei, mas não do ato em si. Minha escolha foi feita por amor. A dele por egoísmo.

Meses depois, vi sua foto nas notícias. Prisão. Acusações. Julgamento. O divórcio foi rápido. Fiquei com a casa, as crianças e segurança financeira.

Às vezes, ainda revisito o passado. O hospital. As promessas. As velas. A porta do quarto aberta. Mas choro com menos frequência. Olho para as crianças, toco a cicatriz na lateral e percebo: não apenas salvei a vida dele. Eu mostrei o tipo de pessoa que sou.

Ele também mostrou que tipo de pessoa ele é.

Carma, para mim, não está em sua prisão. O carma está no fato de que saí dessa história com dignidade, saúde e filhos. E ele ficou para explicar no tribunal para onde foi o dinheiro.

Perdi meu marido e minha irmã. E, ao que parece, minha vida ficou melhor sem eles.

O que você faria no meu lugar?

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