O meu filho explicou que seria melhor transferir a casa de campo para o nome dele — “é só por causa dos impostos, mãe, não se preocupe” — eu concordei em ir ao notário, mas, no caminho, tomei uma decisão que ele não previu.

A casa de campo foi construída por mim e pelo meu marido há vinte e oito anos. Ele transportava tábuas num carro velho, e eu mesma pintava as paredes — não tínhamos dinheiro para pagar trabalhadores. O meu marido morreu há sete anos. Desde então, a casa de campo é minha — e eu cuidei dela como de algo que dizia respeito a nós dois, como algo que restou daquele tempo.
O meu filho mora a duas horas de distância. Vem raramente — no meu aniversário, às vezes no Ano Novo. Nos últimos três anos, tem ligado cada vez mais por algum assunto prático — para esclarecer alguma coisa, para pedir algo. Eu não reclamava. Os filhos crescem, têm a sua própria vida.
Ligou em outubro. Disse que queria conversar sobre a casa de campo. Veio no sábado — pela primeira vez em oito meses. Trouxe um bolo. Tomámos chá, ele estava atencioso e afável. Depois passou ao assunto.
Explicou tudo longamente. Falou de impostos, de como os benefícios para pensionistas são limitados, de certas alterações na legislação que entrariam em vigor em breve. Falava com segurança — como se já tivesse verificado e pensado em tudo. Disse que, se a casa de campo passasse para o nome dele, eu pouparia dinheiro e, para ele, também seria mais fácil ajudar-me com as despesas. Seria algo meramente formal. Apenas papelada. Não se preocupe, mãe.
Eu ouvia e acenava com a cabeça. Bebia chá. Olhava para ele.
Ele é o meu filho. Lembro-me de quando aprendeu a andar — agarrava-se precisamente a esta mesa da cozinha. Eu não queria pensar mal. Mas havia qualquer coisa na entoação — demasiado ensaiada, demasiado fluida — que não me deixava em paz.
Eu disse que iria pensar. Ele respondeu que era melhor não adiar — as alterações entrariam em vigor em novembro. Eu disse: está bem, então no próximo sábado vamos ao notário.
Passei a semana inteira a pensar. Telefonei a uma amiga — ela é contabilista reformada, percebe dessas coisas. Pedi-lhe que me explicasse os benefícios e os impostos para pensionistas em relação a imóveis. Ela explicou durante muito tempo. Não havia alteração nenhuma em novembro. Os meus benefícios são integrais. Não é preciso transferir nada — isso não me traz absolutamente vantagem nenhuma.
Desliguei o telefone e fiquei muito tempo sentada na cozinha.
No sábado, ele chegou às dez. Bem-disposto, organizado. Vesti-me, peguei na mala. Entrámos no carro dele e fomos.
Durante o caminho — ficámos em silêncio. Ele dizia qualquer coisa sobre o tempo, sobre o trabalho. Eu olhava pela janela e pensava no que diria ao notário.
No escritório, o notário perguntou o que queríamos formalizar. O meu filho começou a explicar — doação, casa de campo, morada.
Pedi um segundo. Virei-me para o notário e disse que queria fazer um testamento. Não uma doação — um testamento. E não em nome do meu filho.
O meu filho calou-se a meio da frase.
O notário esclareceu os detalhes. Eu disse o nome — a sobrinha do meu marido; ela ajuda-me na casa de campo todos os verões, traz mantimentos, no ano passado pintou a vedação. Nunca me pediu nada.
O meu filho ficou sentado ao meu lado em silêncio enquanto eu assinava os papéis. No caminho de volta, não disse uma palavra. Deixou-me à porta do prédio e foi-se embora sem entrar.
Ligou três dias depois. Falou muito — disse que eu tinha percebido mal, que ele só queria o melhor, que eu o tinha magoado com a minha desconfiança. Eu ouvi. Depois disse que a casa de campo continuaria de pé, como sempre esteve. E que, se ele quisesse vir no fim de semana seguinte — eu faria borsch.
Ele veio. Comemos borsch e não falámos da casa de campo. Talvez seja assim mesmo. Mas o testamento eu não alterei.
Digam-me honestamente — fiz bem em não lhe explicar nada com antecedência e decidir tudo diretamente no notário, ou devia primeiro ter falado com ele de forma aberta?




