Histórias

O vizinho da frente me parou no elevador e disse: «Você de novo sozinha? Seu marido te largou ou foi você que foi embora?» Com um sorriso. Como se fosse uma pergunta normal. As portas do elevador se fecharam. Subimos até o oitavo andar. E nesses trinta segundos eu disse tudo o que eu pensava sobre ele. Ele saiu em silêncio. E desde então me cumprimenta sem levantar os olhos.

Me divorciei há três anos. Não foi uma tragédia — foi só a vida. Eu e meu marido amadurecemos em direções diferentes, isso acontece. Nos separamos sem escândalo, sem tribunal, quase sem lágrimas. Eu fiquei no apartamento, ele se mudou para outra cidade. Os filhos já são adultos, cada um tem a sua própria vida.

Moro sozinha — e isso me faz bem. Trabalho, saio com as amigas, leio. O apartamento é meu, o silêncio é meu, o tempo é meu. Não procuro compaixão e não preciso de pena.

O vizinho da frente — um homem de uns sessenta e cinco anos. Mora com a esposa. A gente se cumprimentava no elevador, às vezes trocava duas palavras sobre o tempo ou sobre a administradora do prédio. Uma convivência comum entre vizinhos.

Durante três anos ele observou como eu vivia sozinha. Às vezes fazia comentários — de passagem. Uma vez disse — você está sempre sozinha, não é. Eu fiquei calada. Em outra ocasião — aposto que deve ser chato sem um homem. De novo, fiquei calada.

Na quinta-feira à noite entrei no elevador. Ele entrou logo atrás.

As portas se fecharam.

Ele olhou para mim. Sorriu — aquele sorriso com que se diz algo que se considera espirituoso.

Disse — você de novo sozinha. Seu marido te largou ou foi você que foi embora.

Com um sorriso.

Como se fosse uma pergunta normal.

O elevador começou a subir. Oitavo andar. Trinta segundos.

Olhei para ele.

E pensei — quantas vezes eu fiquei calada. Quantas vezes disse a mim mesma para não me envolver, é um senhor de idade, é vizinho, vai ficar constrangedor.

Trinta segundos. Oito andares.

Eu disse — sabe o que eu percebi. Há três anos o senhor se interessa pela minha vida pessoal. Comenta que eu estou sozinha. Pergunta sobre o meu marido.

Ele parou de sorrir.

Continuei — o senhor nunca me perguntou como eu estou. Como vai o trabalho. Como está a saúde. Só — sozinha ou não sozinha, e se o marido me largou ou se fui eu que fui embora.

O elevador subia.

Eu disse — vou responder ao senhor. Estou sozinha porque foi assim que eu escolhi. Isso se chama divórcio e é normal. E isso não é mais assunto para conversa no elevador.

Pausa.

Depois acrescentei — e, para o futuro, perguntar se o marido me largou ou se fui eu que fui embora não é conversa fiada. É grosseria. Mesmo com um sorriso.

O elevador parou no oitavo.

As portas se abriram.

Ele saiu. Em silêncio. Não disse nada — nem uma palavra.

Eu subi até o meu andar.

Entrei em casa. Tirei a roupa. Coloquei a chaleira no fogo.

Minhas mãos não tremiam. Por dentro não havia nem raiva nem satisfação. Só silêncio.

Como acontece quando alguma coisa termina.

Desde então, quando nos encontramos, ele me cumprimenta. Rapidamente. Sem levantar os olhos.

Uma vez a esposa dele esbarrou em mim perto das caixas de correio. Olhou para mim. Depois disse — ele contou em casa. Você falou certo.

Fiquei um pouco surpresa. Disse — obrigada.

Ela deu de ombros — às vezes os homens não entendem até que alguém explique.

Nós duas rimos.

Agora, às vezes converso com a vizinha perto do elevador. Normalmente. Como gente. Ela pergunta como eu estou — pergunta de verdade.

Trinta segundos no elevador. Oito andares.

Às vezes isso basta para que três anos de coisas não ditas finalmente encontrem o seu lugar.

Diga com sinceridade — eu fiz certo em responder na hora, no elevador, ou teria sido melhor ficar calada e conversar depois, com calma?

 

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