Histórias

Minha filha me pediu para nunca entrar no antigo quarto dela — eu aguentei por três anos, até que certa noite ouvi um som vindo de lá e abri a porta

Minha filha saiu de casa há seis anos. Primeiro vieram os estudos, depois o trabalho, depois o próprio apartamento em outro bairro. O quarto dela ficou como estava — a cama, a mesa, as prateleiras com livros que ela não levou. Às vezes eu entrava para arrumar e arejar. Algo normal.

Há três anos, minha filha veio passar o fim de semana. Estávamos jantando e conversando. Antes de ir embora, ela entrou no quarto dela — ficou lá uns vinte minutos. Saiu. E me pediu — mãe, não entra mais lá. Não arruma, não areja. Só não entra.

Eu perguntei — por quê.

Ela respondeu — por favor, simplesmente não entre.

Eu concordei. Não porque não quisesse perguntar — simplesmente ela fez esse pedido com uma expressão tão séria que eu pensei — é um direito dela.

Durante três anos, o quarto ficou fechado. Eu passava pela porta todos os dias. Às vezes parava. Depois seguia em frente.

Meu marido às vezes perguntava — o que será que ela guarda lá. Eu dizia — não sei. Não perguntei.

Minha filha vinha uma vez por mês. Às vezes, com mais frequência. Toda vez entrava no quarto — sozinha, por vinte ou trinta minutos. Depois saía. Tomávamos chá, conversávamos. Eu não perguntava o que ela fazia lá dentro.

Na sexta-feira passada, eu e meu marido fomos dormir por volta das onze. Minha filha não estava — estava na casa dela.

Às duas da madrugada, eu acordei.

Fiquei deitada por alguns minutos. Depois ouvi.

Do quarto da minha filha — um som. Baixo. Algo parecido com um farfalhar ou um movimento.

Levantei. Meu marido estava dormindo.

Passei pelo corredor. Parei diante da porta. Escutei.

Silêncio.

Depois, de novo — um som baixo. Como se alguém estivesse se mexendo lá dentro.

Eu abri a porta.

No quarto não havia ninguém. A janela estava fechada. A cortina balançava levemente com a corrente de ar — provavelmente por causa de alguma fresta na janela. O som vinha da cortina.

Eu queria sair.

Mas continuei parada.

Durante três anos eu não entrei. E agora estava ali, na soleira, olhando.

Com a luz do corredor, dava para ver o quarto. Ele havia mudado — não muito, mas de forma perceptível. Sobre a mesa apareceram coisas que antes não estavam ali. Algumas molduras com fotografias. Velas — várias, de alturas diferentes. Uma pequena caixa na cabeceira da cama.

Entrei.

Fui até a mesa. Olhei as fotografias nas molduras.

Em uma delas — minha filha com um rapaz. Eu não o conhecia. Estavam sorrindo — uma foto de verão, ao ar livre. Em outra — os dois novamente, mas em outra estação, em outro lugar. Na terceira — ele sozinho.

Peguei a terceira moldura. Fiquei olhando para o rosto dele.

Depois a coloquei de volta. Fui até a caixa ao lado da cama.

Abri.

Lá dentro havia cartas. Várias dezenas — amarradas com uma fita. E também mais algumas coisas — um caderninho, uma pulseira, alguns bilhetes.

Eu não li as cartas. Apenas olhei.

Depois fechei a caixa. Coloquei-a de volta no lugar.

Saí do quarto. Fechei a porta.

Voltei para o quarto. Deitei. Meu marido não acordou.

Fiquei deitada, pensando.

Durante três anos, minha filha vinha até aquele quarto. Ficava sentada ali por vinte ou trinta minutos. Sozinha. Fazia alguma coisa — acendia velas, olhava as fotografias. Guardava cartas.

Eu não conhecia aquele rapaz das fotos. Nunca o tinha visto ao lado da minha filha. Ela nunca o mencionou.

De manhã, liguei para minha filha. Disse — me desculpa, eu entrei no seu quarto à noite. Ouvi um som e me assustei.

Ela ficou em silêncio por um segundo.

Depois perguntou baixinho — você viu.

Eu disse — vi as fotografias. Não li nada.

Uma longa pausa.

Depois ela disse — eu vou aí hoje.

Ela chegou à tarde. Sentamos na cozinha. Ela ficou muito tempo em silêncio — segurava a xícara com as duas mãos e olhava para a mesa.

Depois começou a falar.

O rapaz das fotografias era amigo dela — muito próximo. Eles se conheceram há oito anos. Há quatro anos, ele morreu — foi um acidente. Minha filha não contou a ninguém — nem a mim, nem ao pai, nem às amigas. Dizia que não conseguia. Que, quando tentava, as palavras não saíam.

O quarto se tornou, para ela, um lugar onde podia estar perto dele. Simplesmente sentar. Às vezes falar em voz alta. Durante três anos.

Eu escutei sem interromper.

Quando ela se calou, eu me levantei. Abracei-a. Ficamos paradas no meio da cozinha por um longo tempo.

Depois eu disse — você pode me contar sobre ele. Quando estiver pronta.

Ela assentiu.

Falou por várias horas. Eu ouvi. Passei a conhecê-lo — não pessoalmente, claro, mas através das palavras dela.

Agora já não deixamos mais o quarto fechado por semanas a fio. Ela vem quando quer. Às vezes me chama — só para eu ficar sentada ao lado dela.

Eu fico.

Digam com sinceridade — eu agi certo ao não entrar e não perguntar durante três anos, ou deveria ter conversado com minha filha antes?

 

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