A minha esposa ia a um curso de inglês às terças e quintas-feiras — durante três meses eu não fiz perguntas, até que por acaso encontrei o professor dela

A minha esposa inscreveu-se no curso em setembro. Foi ela mesma quem sugeriu — disse que queria melhorar o inglês para o trabalho. Eu apoiei. Era uma boa ideia — que se desenvolvesse. Duas noites por semana, terça e quinta. Chegava por volta das nove, cansada, mas satisfeita. Às vezes contava sobre as aulas, sobre o grupo, sobre o professor.
Eu não me aprofundava muito nisso. Trabalho, casa, as minhas coisas. Ela estava a estudar — ótimo.
Durante três meses, tudo correu de forma tranquila.
Em dezembro, fui a uma festa da empresa de um colega — um encontro pequeno, umas vinte pessoas, num café no centro. Estávamos bem, e acabámos por sair tarde. Saí para a rua, chamei um táxi e fiquei à espera à entrada.
Perto de mim estavam duas pessoas — um homem e uma mulher. Conversavam. Eu não estava a prestar atenção — estava apenas ali, a olhar para o telemóvel.
Depois ouvi — o homem falava em inglês. Falava bem — com fluência. A mulher respondia com sotaque e ria-se.
Levantei a cabeça. Olhei para o homem.
Devia ter uns trinta e cinco anos. Alto. Havia qualquer coisa nele que me era familiar — mas eu não percebia logo o quê.
Depois entendi. A minha esposa tinha-me mostrado uma fotografia do folheto da escola — o grupo deles e o professor. Aquele homem era o professor.
Acenei-lhe com a cabeça — assim, sem pensar. Ele acenou de volta. Depois ele e a mulher entraram no café.
Entrei no táxi que tinha acabado de chegar.
Fui para casa a pensar.
O professor de inglês. Num café. Numa quinta-feira à noite — quando a minha esposa tinha aula. Sem o grupo — só com uma mulher.
Podia ser coincidência. Podia ser um encontro depois da aula. Podia até ser que eu tivesse confundido a pessoa.
Quando cheguei a casa, a minha esposa já estava a dormir. Deitei-me. Não consegui adormecer.
No dia seguinte, ao pequeno-almoço, perguntei como tinha corrido a aula de ontem.
Ela disse — bem. Estivemos a rever os tempos verbais, muita prática.
Perguntei — ontem vocês ficaram até mais tarde.
Ela olhou para mim. Disse — não, como de costume. Porque perguntas?
Eu disse — por nada.
Tomámos o pequeno-almoço. Ela foi para o trabalho.
Abri o portátil. Encontrei o site da escola de línguas onde ela estudava. Procurei o horário.
Quinta-feira — a última aula terminava às oito da noite. Não às nove. A minha esposa chegava às nove. Às vezes, às nove e meia.
Uma hora de diferença. Todas as quintas-feiras durante três meses.
Fechei o portátil. Fui trabalhar. Trabalhei o dia inteiro. À noite voltei para casa. A minha esposa estava a preparar o jantar — perguntou como tinha corrido o dia, e eu disse que normal.
Jantámos. Estávamos a ver qualquer coisa na televisão.
A certa altura, eu disse — ontem vi o teu professor. Perto de um café na rua principal.
Ela não respondeu logo. Depois disse — a sério? Ele costuma ir lá muitas vezes, provavelmente.
Eu disse — ele não estava sozinho.
Ela olhou para mim.
Eu olhei para ela.
Ficámos em silêncio durante alguns segundos.
Depois ela desligou a televisão. Virou-se para mim. E disse — precisamos de conversar.
A conversa durou até às duas da manhã. Fiquei a saber tudo.
Não era aquilo em que eu estava a pensar — não era uma traição. Era outra coisa. Ela ia a uma psicóloga. Particular. Uma vez por semana, às quintas-feiras, depois das aulas. Há um ano, começaram as crises de pânico — e ela escondeu isso de mim. Não me queria assustar. Não sabia como dizer. Inventou que saía mais tarde por causa do curso.
Eu fiquei sentado a ouvi-la.
Um ano. Durante um ano inteiro ela lidou com aquilo sozinha. Foi à psicóloga sozinha. Teve medo de me contar.
Perguntei — porque é que não me disseste?
Ela respondeu — eu não sabia como ias reagir. Tinha medo de que achasses que eu era fraca.
Fiquei a olhar para ela.
Vinte anos juntos. E ela tinha medo de que eu achasse que ela era fraca.
Segurei-lhe a mão. Disse — tu não és fraca. Aguentaste isto sozinha durante um ano — isso não é fraqueza, é força. Mas não precisas de carregar isso sozinha nunca mais.
Ela começou a chorar. Pela primeira vez durante toda a conversa.
Ela não deixou de ir à psicóloga — continua a ir. Agora eu sei. Às vezes pergunto como correu — ela conta-me um pouco. Não tudo — esse é o espaço dela. Mas eu sei que ela está lá.
Também não deixou o curso de inglês. Diz que, de facto, o inglês está a melhorar.
Já não volto a olhar para o horário no site.
Digam-me sinceramente — ela fez bem em esconder isso, ou coisas assim, num casamento, devem ser ditas logo desde o início?




