Histórias

Ele Era Proprietário do Restaurante — Mas Foi ao Primeiro Encontro Fingindo Ser Garçom

Eu estava coberto de respingos de tinta neon quando entrei no posto de gasolina naquela noite, ainda empolgado de uma partida de paintball com amigos. Não pensei muito em como estava até que a mulher atrás do balcão olhou para mim e sorriu.

“Se o Exterminador do Futuro aparecesse agora,” ela disse, com uma expressão totalmente séria, “ele definitivamente não pediria suas roupas.”

Fiquei parado ali por um segundo sem saber se deveria rir ou sair de volta. Então eu ri.

O crachá dela dizia Clara. Cabelo loiro preso em um coque bagunçado, olhos que já se moviam para a próxima piada antes de terminar a primeira. Conversamos por uns dez minutos — tempo suficiente para eu esquecer completamente que estava num posto de gasolina coberto de tinta. Quando perguntei se ela gostaria de jantar comigo algum dia, ela inclinou a cabeça e disse: “Claro. Só não com paintball.”

Saí dali com o número dela e um encontro para esperar ansiosamente.

A ansiedade chegou cerca de uma hora depois.

Meu nome é Daniel, e sou dono de três restaurantes. O principal é um restaurante italiano sofisticado no centro da cidade — toalhas de mesa brancas, uma carta de vinhos que leva dez minutos para ser lida, o tipo de lugar onde reservas são feitas com semanas de antecedência. Tem sido um sucesso. Eu tive sucesso. E ao longo dos anos aprendi, por experiências que prefiro não repetir, que o sucesso atrai um tipo específico de atenção.

Mulheres que eram calorosas e genuínas no primeiro encontro tornavam-se visivelmente mais interessadas quando descobriam sobre os restaurantes. As conversas mudavam. As perguntas mudavam. Terminei dois relacionamentos quando percebi que a pessoa sentada à minha frente estava mais interessada na vida do que em mim.

Clara parecia diferente. Mas eu já havia pensado assim antes.

Então eu fiz algo do qual não estou totalmente orgulhoso. Liguei para meu gerente, contei ao staff o plano, e convidei Clara para o meu próprio restaurante — como garçom.

Ela chegou em um simples vestido vermelho e olhou ao redor da sala com curiosidade genuína, não o olhar calculador de alguém catalogando a decoração para referência futura. Eu a encontrei na porta e a guiei até a melhor mesa no canto.

“Você vem aqui com frequência o suficiente para saber qual mesa é a melhor?” ela perguntou.

“Eu trabalho aqui,” eu disse. “Acabei de terminar um turno, na verdade.”

As sobrancelhas dela se levantaram brevemente. Então ela sorriu. “Sempre quis ser garçonete. Talvez eu comece depois do jantar.”

Um dos meus funcionários passou com os menus e me cumprimentou pelo nome, desempenhando seu papel. Clara não se mexeu. Fizemos nossos pedidos e, em minutos, estávamos conversando da maneira que as pessoas conversam quando de alguma forma pularam a fase inicial — sobre os livros que ela queria escrever mas nunca tinha, sobre como voltou para ajudar a mãe, sobre a diferença entre a vida que você planeja e a que acaba construindo.

Ela era rápida e engraçada de uma maneira que sempre me pegava desprevenido. Estar com ela parecia simples de uma maneira que eu não sentia há anos.

Então meu gerente apareceu na mesa, exatamente no momento certo, parecendo furioso.

“Nate!” ele exclamou — usando o nome que combinamos. “Você faltou ao último quarto do seu turno. Volte para a cozinha e termine a louça ou está fora.”

Os olhos de Clara se arregalaram. Ela se levantou imediatamente.

“Ei,” ela disse, virando-se para mim. “Vá. Sério. Podemos fazer isso em outro momento, não tem problema.”

Eu me desculpei e fui para a cozinha. Mal tinha voltado lá dois minutos quando a porta se abriu atrás de mim.

Clara entrou, já arregaçando as mangas, olhando ao redor da cozinha com uma expressão de determinação alegre.

“Você nem começou ainda?” ela disse. “Vamos lá. Terminaremos mais rápido juntos e depois vamos dar uma volta.”

Eu a encarei.

Ela já estava pegando a escova de louças.

Ficamos lado a lado na pia pelos próximos vinte minutos, ocasionalmente esbarrando os cotovelos, conversando sobre nada em particular, água respingando em seu vestido. Ela não parecia notar ou se importar. Quando terminamos, ela secou as mãos em um pano e olhou para mim com a mesma expressão tranquila que tinha no balcão do posto de gasolina.

“Bem,” ela disse. “Isso foi inesperado. Vamos andar ou você tem mais tarefas planejadas?”

Eu olhei para ela, em pé na cozinha do meu restaurante, manchas de água em um vestido que ela usou para um primeiro encontro, completamente despreocupada com tudo isso.

“Tenho que te contar uma coisa,” eu disse.

O sorriso dela suavizou. “Ok.”

“Eu não sou garçom. Eu sou dono deste restaurante. Sou dono de três. Esta noite foi um teste. Eu queria saber se você gostava de mim antes de saber disso. Tive experiências ruins e lidei com isso de forma errada e sinto muito.”

Clara ficou em silêncio por um momento. Ela olhou para o teto, depois de volta para mim.

“Então você mentiu para mim a noite toda,” ela disse, “porque achou que eu poderia querer seu dinheiro.”

“Sim,” eu disse. Sem razão para suavizar.

Ela cruzou os braços. “Isso é um pouco insultante.”

“Eu sei.”

Outra pausa. Então ela balançou a cabeça lentamente, e algo no canto de sua boca mudou.

“Eu pelo menos passei?”

“Completamente,” eu disse.

Ela descruzou os braços. “Então você me deve uma caminhada de verdade. E pode passar o tempo todo explicando por que um homem que possui três restaurantes achou que lavar pratos juntos era um bom teste para um primeiro encontro.”

Caminhamos até o cais. Eu expliquei tudo. Ela ouviu e fez perguntas incisivas e ocasionalmente riu nos momentos errados, o que de alguma forma tornou tudo melhor.

Eu tinha ido para aquela noite procurando provas do que alguém não era. Eu saí dela quase certo de que encontrei algo que eu não estava procurando de forma alguma.

Se alguém testasse suas intenções antes de confiar em você — mesmo que tivesse feito isso de forma errada — você consideraria isso um mau sinal, ou entenderia o motivo?

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