Histórias

Quando era um adolescente, eu sempre levava para casa uma senhora perdida — até que um dia seu filho apareceu

Eu tinha doze anos. Minha mãe trabalhava em dois turnos, em casa frequentemente havia apenas macarrão instantâneo, e na porta da cozinha pendia um aviso de despejo — eu tentava não olhar para ele.

Eu a vi pela primeira vez por acaso — voltando da escola por alguns quarteirões vizinhos. Uma senhora idosa em camisola, descalça, com rímel borrado. Ela estava indo a algum lugar e chorando. Ao redor, carros buzinavam, os pedestres olhavam e seguiam caminhando.

Ela procurava por sua casa. Dizia que o filho a havia vendido. Que seu filho nunca faria isso.

Peguei-a pela mão e a levei até onde ela queria — para a varanda antiga da casa, que já pertencia a outros donos há tempos. Sentamo-nos lá, dividimos um sanduíche, e ela me contava sobre o filho, que construía cabanas no quintal. Quando adormeceu, liguei para a instituição onde ela vivia e fui embora antes de chegarem.

De manhã, ela não se lembrava de mim.

Isso se repetia constantemente. Ela saía sempre pelo mesmo caminho, sempre na mesma direção, sempre chorando. Eu a encontrava, levava de volta, desaparecia. Ela esquecia. Eu voltava.

Certo dia, enquanto caminhávamos pela rua como de costume, havia um homem na varanda. Terno caro, braços cruzados, relógio de luxo. Ele nos olhava fixamente.

Disse que eu era aquele garoto. Que o pessoal da instituição já falava sobre um adolescente que sempre a trazia de volta. Que eu estava confundindo-a e apenas piorando as coisas.

Ela se escondeu atrás de mim e sussurrou algo sobre o jantar.

Respondi que ela vagava justamente porque estava confusa. Que eu apenas a levava para onde ela se sentia em paz.

Ele falou algo sobre os custos de cuidado, sobre a venda forçada da casa. Depois, foi embora. Mas percebi que sua voz vacilou no final.

Três dias depois, ele bateu à nossa porta. Desta vez sem o paletó, com um café na mão. Entrou, olhou ao redor. Notou o aviso de despejo na mesa da cozinha.

Perguntou como consegui ganhar a confiança dela, quando ela nem reconhecia o próprio filho.

Dei de ombros. Disse que apenas caminhava ao lado. Ouvia. Compartilhava a comida.

Ele sentou no sofá e ficou em silêncio por um longo tempo. Depois confessou: ele não tinha vendido a casa. Não pôde. Ela estava vazia — e ele pagava por ela e pela instituição ao mesmo tempo. Estava se afundando.

Então, propôs um acordo.

Poderíamos nos mudar para aquela casa — por um preço simbólico, muito abaixo do mercado. Uma condição: eu deveria visitá-la duas vezes por semana. Não para levá-la a passear. Apenas para sentar ao lado dela. Conversar. Ser quem ela me chamava: o menino da varanda.

Eu não soube de imediato se era uma armadilha ou uma proposta honesta.

Nos mudamos uma semana depois.

Minha mãe se desfez em lágrimas na primeira noite — apenas por poder respirar aliviada. Ela largou um dos empregos. As rosas começaram a florescer, pois minha mãe cuidou delas.

Toda semana ele passava por mim — agora sem o terno, de jeans, como se finalmente tivesse tirado um peso das costas. Íamos juntos. Inicialmente, em silêncio. Depois ele começou a perguntar como eu conversava com ela. Por que não ficava frustrado quando ela olhava através de mim.

Eu respondia: apenas estar presente. Como ele estava agora.

Ela nem sempre me reconhecia. Às vezes olhava e perguntava quem eu era. Mas sempre que eu pegava sua mão, ela apertava de volta. Sempre.

Ele observava. Aprendia. Parou de tentar explicar quem era. Começou a apenas se sentar ao lado dela. Levava seus biscoitos favoritos. Ouvia.

Certa noite chuvosa, ela nos pegou pelas mãos e disse: meus dois meninos estão aqui. Contem-me sobre as rosas.

Ele não conseguiu falar imediatamente.

No estacionamento, quando a chuva tamborilava no teto do carro, ele ficou em silêncio por um longo tempo. Depois agradeceu.

Eu perguntei: por quê.

Ele respondeu: por ter me mostrado que amar alguém com demência significa ir até onde ela está agora. Não onde você gostaria que ela estivesse.

Eu não a conhecia como ela era antes da doença. Mas conhecia aquela que perambulava pelas ruas de camisola, procurando por um lar.

Ela nos ajudou a encontrar um teto sobre nossas cabeças. Eu o ajudei a encontrar sua mãe.

E naquela varanda com rosas, todos encontramos algo que parecia uma família.

Houve alguém em sua vida que ensinou muito a você — sem nem ao menos saber?

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