Histórias

O cachorro do vizinho desenterrou um pacote no meu quintal — a polícia chegou em 15 minutos

Eu moro na minha casa há mais de dez anos. Comprei-a aos trinta anos — pequena, aconchegante, com um jardim nos fundos. Trabalho em casa, cuido da horta, e não costumo me desentender com ninguém. Vida tranquila e equilibrada — exatamente o que eu sempre quis.

Há cerca de um ano e meio um novo morador se mudou para a casa ao lado. Um homem de meia-idade, tranquilo, cuidadoso. Não tinha nenhuma reclamação contra ele — exceto uma: o cachorro dele. Um cão de porte médio, incrivelmente energético, com uma paixão maníaca por cavar a terra. O dono o soltava no quintal sem coleira e não se preocupava muito com onde ele ia.

A primeira vez que o cachorro entrou no meu terreno foi cerca de três meses após a mudança deles. Eu tinha acabado de plantar mudas, e ele metodicamente cavou exatamente no canto onde estava tudo plantado. Eu saí e educadamente, mas firmemente, pedi ao vizinho que mantivesse o animal longe da minha cerca. Ele prometeu — mas pela entonação ficou claro que ele encarou isso como um capricho.

O cachorro continuou vindo. Ele passava horas andando ao longo da cerca, choramingando, cavando. O vizinho só ria: talvez houvesse toupeiras lá. Eu me convenci a não dar importância a isso. Mas algo dentro de mim não estava em paz — cães não se comportam assim sem motivo.

Tudo aconteceu em um sábado de manhã. Eu estava em casa quando ouvi latidos altos e o som característico de escavação. Corri para o quintal — o cachorro estava cavando com tanto vigor que terra voava por todos os lados. Chamei o vizinho. Ele correu — e eu imediatamente vi: algo estava errado. O rosto pálido, movimentos rápidos, voz tensa.

Ele tentou afastar o cão, mas ele não obedecia. Em algum momento, um saco preto de polietileno apareceu na terra — grosso, amarrado com fita adesiva. Um cheiro forte e pesado emanava dele.

— É apenas lixo, — disse o vizinho, sem me olhar. — Alguém enterrou tralhas. Não toque, não ligue para ninguém.

Eu olhei para ele. As mãos tremiam. Os olhos inquietos. A voz oscilava.

— Vou chamar a polícia, — eu disse e entrei em casa.

Ele veio atrás de mim pedindo para não fazer isso. Dizia que tudo parecia suspeito e que poderiam acusá-lo. Eu parei e perguntei diretamente: se você não tem nada a ver com isso — por que está tão assustado? Ele não respondeu. Eu disquei o número.

Os policiais chegaram em quinze minutos. Abriram o saco. Dentro havia restos de um cachorro — com uma coleira e uma placa, na qual constava um endereço. Meu endereço.

Três dias depois, recebi uma chamada do serviço de controle de animais. Os restos estavam enterrados há mais de dez anos. Antes mesmo de eu comprar esta casa. A plaquinha mostrava o endereço, que coincidia com o meu atual — descobri que o antigo morador havia sido investigado por maus-tratos a animais. O caso foi encerrado por falta de provas. O cachorro desaparecido naquela época nunca foi encontrado — até este dia.

O vizinho foi completamente inocentado. Quando ele veio conversar, parecia exausto. Disse que estava com medo, porque entendia que, de fora, tudo parecia que ele era o culpado. Eu entendi. E me desculpei por tê-lo suspeitado.

Depois que tudo terminou, pensei longamente sobre uma coisa: morei nesta casa por dez anos, cuidei deste jardim, amei este quintal — e não fazia ideia do que estava escondido aqui. Às vezes, lugares guardam histórias das quais nem sequer suspeitamos.

E você, já descobriu algo inesperado sobre uma casa ou lugar que pensava conhecer bem?

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