Histórias

Por que uma mulher acima de 60 anos faria as unhas se ela não vai se tornar mais jovem? A resposta dela fez todos ficarem em silêncio…

Naquele dia eu só saí para dar uma caminhada. O outono deste ano estava incrivelmente ameno — folhas secas farfalhavam sob os pés, o sol aquecia, mas não queimava. Eu queria silêncio. Queria apenas sentar e não pensar em nada.

Foi exatamente por isso que as ouvi tão claramente.

No banco ao lado, estavam sentadas quatro mulheres. Aproximadamente da mesma idade. Bem vestidas, com penteados arrumados. Elas falavam em voz baixa, mas de forma que todos pudessem ouvir.

«Para onde o mundo está indo…» — suspirou uma delas.

«Olha só para ela. Fez as unhas. Na idade dela!» — acrescentou outra.

No começo eu nem entendi de quem estavam falando. Depois, notei uma mulher sentada a dois bancos delas.

Ela estava sozinha. Tranquila, bem cuidada. Vestia um casaco claro, abotoado cuidadosamente até o último botão. O cabelo estava preso em um coque suave. Nas mãos — uma bolsa e um livro, marcado pelo dedo.

E sim, ela estava com as unhas feitas. Uma cor vermelho profundo, quente. Nada exagerado. Não «juvenil». Simplesmente bonito.

«Para quem ela está se mostrando?» — continuavam a discutir as mulheres.
«Devia estar cuidando dos netos, não pintando as unhas».
«Acham que vão parecer mais jovens… engraçado».

Elas riram.

A mulher com unhas vermelhas inicialmente não reagiu. Ela olhava para frente, como se imersa em seus pensamentos. Mas notei que os dedos apertaram o canto do livro um pouco mais forte.

Passaram-se alguns segundos. Então ela levantou a cabeça devagar e olhou na direção delas.

Sem raiva. Sem desafio.

E disse calmamente:

«Eu posso ouvi-las».

O riso cessou imediatamente.

Uma das mulheres ficou constrangida e murmurou:

«Estamos apenas conversando».

Aquela mulher assentiu.

«Eu entendo. Só decidi responder. Já que a conversa é sobre mim».

Um silêncio constrangedor pairou. As pessoas nos bancos próximos também se calaram.

Ela olhou para as suas mãos, cuidadosamente repousadas sobre os joelhos, e continuou suavemente:

«Eu faço as unhas não para parecer mais jovem. Eu faço porque quero me sentir viva».

Uma das «discutidoras» deu um sorriso cético:

«Na nossa idade, já é tarde para pensar em beleza».

A mulher sorriu. Muito tranquilamente.

«Tenho sessenta e sete anos. E não acho que essa seja a idade para renunciar à alegria».

Ela fez uma pausa, como se estivesse se decidindo.

«Três anos atrás, eu enterrei meu marido. Vivemos juntos por quarenta e dois anos. Após sua morte, parei de sair de casa. Não pintava as unhas. Não usava joias. Não olhava no espelho. Pensei que com ele eu também havia terminado».

O parque ficou tão silencioso que se podia ouvir o vento agitando as folhas.

«Um dia, abri o armário e vi o vestido que ele amava. E de repente percebi: se eu desistir agora, se eu permitir que eu desapareça, tudo o que tivemos também desaparecerá. E eu não quero isso».

Sua voz não tremia. Era firme, calorosa.

«Meu marido sempre dizia que esmalte vermelho era ousado demais para mim. Ele ria e dizia: “Você já é a mais bonita, para que quer isso?” Agora escolho essa cor todos os meses. Porque ele sorriria».

Uma das mulheres desviou o olhar. Outra ajustou a bolsa nervosamente.

A mulher continuou:

«Não preciso voltar aos vinte. Não quero ser jovem novamente. Quero ser eu — hoje. Com rugas. Com memórias. Com dor. Mas viva».

Ela levantou os olhos e acrescentou suavemente:

«Se você acha que unhas feitas são uma tentativa de enganar a idade, está enganada. É um lembrete de que ainda estou aqui. Que tenho direito à cor, à alegria, à sensação de beleza».

Suas palavras não soavam como acusação. Não havia agressão nelas. Apenas verdade.

«Às vezes, a única coisa que mantém uma pessoa em pé são pequenas coisas. Uma xícara de café. Um passeio no parque. Um novo esmalte de unhas. E se isso ajuda a viver mais um dia — é mesmo tão ruim?»

Ninguém respondeu.

As mulheres no banco ao lado pareciam menores. Mais quietas. Como se suas próprias palavras tivessem de repente se tornado pesadas.

A mulher de unhas vermelhas fechou o livro cuidadosamente, levantou-se e ajustou o casaco.

«Desejo que vocês também não desistam das coisas que as fazem felizes», — disse ela.

E seguiu pela alameda. Calmamente. Com as costas eretas.

Observei-a se afastando e pensei em quantas vezes decidimos por nós mesmos que «já é tarde». Tarde demais para ser feliz. Tarde demais para ser bonita. Tarde demais para começar algo novo.

Mas a velhice — não é sobre desistir. É sobre a coragem de continuar.

Eu olhei novamente para o banco. As mulheres estavam em silêncio. Uma delas disse baixinho:

«Talvez ela tenha razão…»

E naquele momento ficou claro para mim: às vezes, um esmalte vermelho — não é sobre a aparência. É sobre a escolha de continuar vivendo.

Seja honesto — voc

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