Histórias

O meu irmão expulsou a minha mãe da própria casa enquanto eu não estava, e eu não suportei essa insolência – eu fiz algo que ele nunca vai esquecer…

Tenho quarenta e dois anos. Sou a filha mais velha e aprendi a ser adulta muito cedo, porque alguém tinha que manter tudo em ordem. Meu irmão tem vinte e três, e nunca foi alguém em quem se pudesse confiar. Isso não é uma crítica, apenas uma longa sequência de fatos que se estendem desde a infância.

Problemas sempre o acompanharam: escola, faculdade incompleta, dívidas, brigas, polícia. Cada crise começava da mesma forma — uma ligação em pânico, desculpas memorizadas, promessas de que «desta vez será diferente». E a mãe sempre acreditava que a próxima versão do seu filho seria melhor.

Após a morte do pai, ele continuou morando com ela. Em uma cidade pequena, onde todos se conhecem, isso parecia lógico: uma senhora idosa não deveria ficar sozinha, e o filho «ajudaria». Mas sempre que eu visitava, vinda de minha cidade a mais de cem quilômetros de distância, a realidade me chocava. Louça suja enquanto ele jogava vídeo game. Música durante a noite. Amigos entrando na casa sem cumprimentar. E a mãe andando na própria casa como se fosse uma hóspede.

Eu moro em outra região. Quatro filhos, trabalho, hipoteca, a usual corrida europeia pela estabilidade. Pensei em colocá-la em um bom lar para idosos — não para me livrar dela, mas para que ela estivesse segura. Porque meu irmão não tinha intenção de cuidar dela.

Depois, ambos pararam de responder. Sem ligações, sem mensagens. No início, tentei não entrar em pânico. Mas a ansiedade crescia. Após três dias, entrei no carro e fui até lá.

Quando virei na rua dela, meu coração apertou. A casa parecia que tinha sido palco de um festival. Porta arrombada. Cerca quebrada. Janelas estilhaçadas. Garrafas vazias na varanda. Isso não era abandono — era destruição.

Dentro, o cheiro de álcool e mofo. Música tocava baixinho de uma caixa de som. Meu irmão estava deitado no sofá. Ao lado, uma garota desconhecida. Perguntei onde estava a mãe.

Ele respondeu preguiçosamente que esqueceu de dizer — ele a tinha colocado na velha cabana no quintal. Assim era mais fácil para todos.

Por um segundo, eu apenas olhei para ele, sem acreditar no que ouvi.

A cabana ficava no fundo do quintal, atrás das macieiras. De madeira, torta, com telhado enferrujado. Dentro, era úmido e escuro. Ela estava sentada em uma cama estreita, envolta em um cardigã, embora fosse verão lá fora. Ao redor — sacolas, caixas, fotos encostadas na parede. Como se tivessem empacotado sua vida às pressas.

Ela disse que era temporário. Que assim era mais calmo. Que ele estava passando por um momento difícil.

Naquele momento, percebi: ele não apenas a expulsou. Ele a convenceu de que isso era normal.

Liguei para um amigo. Ele serviu no exército, uma pessoa tranquila, mas firme em seus princípios. Ao meio-dia, ele estava na casa. Levamos minha mãe para o meu carro. Ela não questionou.

Em uma hora, as fechaduras já estavam sendo trocadas. Na Europa, isso é rápido: uma ligação, e um chaveiro está lá. Meu irmão gritava, acusava, dizia que a casa também era dele. Mas pela primeira vez, minha mãe olhou para ele não com esperança, mas com cansaço. E disse que queria sua casa de volta.

Levámos as coisas dele para fora. Sem cenas. Sem gritos. Apenas fatos.

A casa estava destruída. Luminárias quebradas, paredes estragadas, manchas no tapete. Mas voltou a ser a casa dela.

Passamos o fim de semana limpando. As crianças vieram ajudar. A mais velha organizava documentos em silêncio. O mais novo divertiu a avó tanto que ela riu pela primeira vez em muito tempo.

Meu irmão ligou. Eu não atendi.

À noite, a mãe estava sentada na varanda com uma xícara de chá. Rua tranquila, pôr do sol sobre os telhados, cheiro de grama recém-cortada. Ela disse que talvez tivesse dado a ele muitas chances.

Respondi que amar — não é um erro. Mas permitir que você seja destruído — sim.

Pela primeira vez em muito tempo, os olhos dela não tinham medo. Apenas cansaço e paz.

Meu irmão agora está morando em algum lugar com amigos. Não tento mais salvá-lo. Às vezes proteger a família significa protegê-la de um próprio filho.

A minha mãe tem novamente uma casa. E eu — tranquilidade.

Mas, honestamente: quantas segundas chances se deve dar a alguém antes de admitir que ele não vai mudar?

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