Histórias

Um estranho vinha diariamente ao hospital e segurava a mão da minha filha por horas enquanto ela estava em coma. Quando descobri quem ele realmente era, meu coração se despedaçou…

Tenho quarenta e dois anos. Minha filha, dezessete.

Há seis meses, ela foi atropelada enquanto atravessava a rua. Luz do dia, sinal verde, a poucos minutos de casa. Um homem estava apressado, se distraiu e não conseguiu frear a tempo. Ela nem teve tempo de gritar.

Agora, ela está em coma.

Eu moro no hospital. Durmo numa cadeira dura. Lavo-me na pia dos funcionários. Me alimento das máquinas de venda automática. Estou aprendendo a viver num mundo onde o tempo é medido não em dias, mas em batimentos no monitor.

Todos os dias, exatamente às três horas, acontece a mesma coisa.

Um homem entra no quarto. Deve ter uns sessenta anos. Normal. Casaco, camisa arrumada, cabelos grisalhos, rosto cansado. Nem parente, nem médico. Ele sempre para na porta, como se pedisse permissão ao ar.

Acena para mim. Sorri suavemente para minha filha.

— Olá, — diz ele toda vez, como se ela apenas tivesse se virado. — Sou eu de novo.

As enfermeiras o conhecem. Uma vez vi que lhe deram café como se fosse um velho conhecido. Como se ele fosse de casa por ali.

Ele se senta ao lado, segura a mão da minha filha e permanece por exatamente uma hora. Às vezes lê livros para ela. Às vezes apenas fala — sobre o clima, sobre as notícias, sobre como o dia foi difícil. Fala baixo, calmo, às vezes a voz falha.

Pontualmente às quatro, ele se levanta, coloca a mão dela de volta delicadamente e vai embora. Sempre no horário. Por meses.

No início, eu não fazia perguntas. Quando seu filho está entre a vida e a morte, você não repele a bondade dos outros.

Mas com o tempo, isso se tornou insuportável.

Ele não era nem parente nem amigo da família. As amigas da minha filha não o conheciam. O pai dela também não. Mas esse homem segurava sua mão como se isso fosse seu dever.

Perguntei à enfermeira quem ele era.

Ela respondeu de forma evasiva:

— Alguém que se importa muito.

Isso não era suficiente para mim.

Um dia, quando ele saiu, eu o segui pelo corredor.

— Espere, — eu disse.

Ele se virou. De perto, vi as rugas, os olhos avermelhados, os dedos trêmulos. Não era um homem mau. Apenas exausto.

— Sou a mãe dela, — eu disse. — E preciso saber quem você é.

Ele acenou com a cabeça, como se estivesse se preparando para essa conversa há muito tempo.

— Vamos sentar, — ele disse calmamente.

Sentamos em cadeiras plásticas perto da janela. Ele ficou em silêncio por um tempo, então suspirou profundamente.

— Meu nome é Mike. Tenho cinquenta e nove anos. Tenho uma esposa. E uma neta.

Eu esperei.

Ele me olhou diretamente e disse:

— Eu sou a pessoa que atropelou sua filha.

O mundo pareceu se apagar por um segundo. Depois ligaram de volta, mas de forma distorcida.

Ele contou tudo. Que estava com pressa. Que estava certo de que teria tempo. Que ela estava atravessando com o sinal verde. Que viu seus olhos no último instante.

Tribunal. Pena suspensa. Suspensão da carteira. Terapia obrigatória. Trabalho com psicólogo. Proibição de se aproximar da família sem permissão.

— Eu não estava bêbado, se você está pensando nisso, — ele falou rapidamente. — Não foi por causa do álcool. Foi pior. Foi por minha causa.

Eu me levantei. Minhas mãos tremiam.

— Você não tem o direito de estar aqui.

Ele acenou com a cabeça.

— Você está certa.

Ele não se justificou. Não argumentou. Apenas sentou-se e aceitou.

Ele disse que veio a primeira vez logo depois do julgamento. Apenas queria ver a realidade dela. Não um nome nos documentos. Não uma estatística.

O médico não deixou ele entrar. Ele ficou sentado no corredor. Voltou no dia seguinte. Depois mais vezes.

A enfermeira o deixou entrar quando eu não estava. Disse que eu não gostaria de vê-lo.

Eu disse que ela estava certa.

Ele acenou com a cabeça. Disse que escolheu as três horas porque foi a hora do acidente.

— É a única coisa que eu posso fazer certo. Vir. Não desaparecer.

Eu disse que não queria vê-lo perto dela.

Ele respondeu calmamente:

— Está bem.

No dia seguinte, às três horas, a porta não abriu.

Achei que isso me traria alívio. Não trouxe.

Alguns dias depois, acidentalmente fui a uma reunião de grupo de apoio para parentes de vítimas. E ele estava lá. Ele se levantou e disse:

— Meu nome é Mike. E eu sou o motivo pelo qual uma garota de dezessete anos está em coma.

Ele falou sem dramatização. Sobre culpa. Sobre acordar todas as manhãs com o rosto dela na mente. Sobre como seu próprio filho faleceu há muitos anos. Acidente. Ele sabe como é a vida depois.

Após a reunião, nos encontramos na saída.

— Eu não te perdoo, — eu disse.

— Eu não espero que você perdoe, — ele respondeu.

Pausa.

— Mas se você quiser voltar… — eu disse finalmente. — Você pode. Eu estarei lá.

Ele chorou, não se escondendo.

No dia seguinte, às três, ele voltou novamente. Parou na porta.

Eu acenei com a cabeça.

Ele se sentou, pegou a mão dela e começou a ler. Em um momento, o monitor mostrou um pulso mais estável.

Fingi não perceber.

Passaram-se semanas.

Um dia, os dedos da minha filha apertaram os meus. Um aperto real.

— Mike, espere, — eu disse.

Chamei por minha filha. Ela respondeu.

Ela acordou.

Quando ela o viu, ela disse:

— Você lê livros para mim.

Ela conhecia a voz. Não conhecia a história.

Depois, contamos tudo. Juntos. Com o médico.

Ela escutou em silêncio.

— Eu não te perdoo, — ela disse a ele.

Ele acenou com a cabeça.

— Mas não desapareça, — ela acrescentou. — Eu não sei o que isso significa. Mas não desapareça.

Ele concordou.

Quase um ano se passou. Ela saiu do hospital, com uma bengala. Eu segurava uma de suas mãos. Ela mesma pegou a outra — a dele.

Agora, todos os anos nos encontramos os três. Exatamente às três horas. Em um pequeno café.

Não chamamos isso de perdão.

Chamamos isso de escolha por continuar vivendo, sem fingir que a dor não existiu.

O que você faria no meu lugar?

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