Histórias

Meu filho se fechou em si mesmo após uma semana na casa da avó. A verdade que a psicóloga revelou me deixou perplexa…

Eu tinha 36 anos quando meu marido faleceu. Uma longa doença o levou lentamente, e no momento em que ele se foi, era como se eu já tivesse me despedido várias vezes. Ficamos apenas eu e meu filho. Ele tinha 12. Desde aquele dia, todas as minhas decisões giravam em torno de uma questão: como protegê-lo e não me quebrar.

Eu trabalhava, mantinha a casa e tentava ser forte. Não perfeita, mas autêntica. E quando tive que viajar a trabalho por uma semana, demorei a decidir com quem deixar meu filho. Meus pais não estavam por perto, e não havia ninguém para ajudar. Só havia uma opção: a avó paterna.

Ela sempre foi fria. Educada, mas distante. Dizia que queria ver o neto mais frequentemente, que ele precisava de família. Eu estava apreensiva, mas convenci a mim mesma que uma semana não faria diferença. Antes de partir, eu disse ao meu filho: “Ligue para mim a qualquer hora. Voltarei rápido”. Ele assentiu e sorriu. Naquele momento, eu ainda não sabia que aquele seria nosso último sorriso tranquilo por um tempo.

Quando voltei, algo imediatamente não parecia certo. Meu filho estava sentado no sofá com o console, mas parecia que não estava jogando. Ele estava tenso, como se aguardasse algo ruim. Respondia às minhas palavras de forma curta. Sem emoção. “Sim.” “Não.” “Não sei.” À noite, ele se sobressaltou quando entrei no quarto. E à noite, vi como ele estava sentado na cama com os olhos abertos, apertando o travesseiro.

Liguei para a avó. Perguntei diretamente o que havia acontecido. Ela respondeu calmamente e com irritação, dizendo que eu mimava demais o menino, que ele estava apenas dramatizando. Depois dessa conversa, percebi que não conseguiria lidar com isso sozinha.

Mandei meu filho para um psicólogo infantil. Fiquei quase uma hora sentada à porta, segurando o telefone e orando para que ele dissesse algo. Quando a consulta terminou, meu filho passou por mim em silêncio. E a especialista demorou a começar a conversa.

Depois, ela disse que não houve violência física. Mas houve outra coisa. Falaram horas a fio coisas que uma criança não deveria ouvir. Inculcaram que o pai morreu por minha causa. Que eu supostamente apressei o tratamento. Que tomei decisões sozinha. Que mesmo após a morte, agi errado.

Demorei a entender o significado dessas palavras. Depois, fui tomada pela raiva, dor e culpa. Não porque fosse verdade, mas porque meu filho ficou sozinho com isso. Ele se sentia um traidor. Pensava que tinha que escolher entre a mãe e a memória do pai.

Naquela noite, sentei ao lado dele na cama e disse que sabia o que lhe haviam dito. Que não era verdade. Que eu e seu pai tomamos todas as decisões juntos. Que ele queria lutar. Que ele nos amava. Meu filho ficou em silêncio por um tempo e depois perguntou baixinho: “Ela disse que você está mentindo”.

Eu respondi honestamente. Que às vezes os adultos dizem coisas terríveis porque eles próprios não sabem lidar com a dor. E que isso não deveria ser um fardo para ele. Ele chorou. Pela primeira vez em alguns dias. Eu o segurei e entendi que o pior já havia passado, mas agora poderíamos seguir em frente.

No dia seguinte, liguei para a avó e disse que ela não veria mais meu filho. Ela gritou, acusou, mas eu desliguei. Minhas mãos tremiam, mas por dentro me senti mais leve.

Voltamos a nos comunicar. Não de imediato. Com passos pequenos. Terapia, passeios, filmes, silêncios sem medo. Um dia, encontrei um bilhete: “Desculpe por ter ficado em silêncio. Tive medo. Eu te amo”.

Às vezes, a dor retorna. Mas agora ele sabe que o amor não requer escolha e não pune por confiança.

E você, o que acha? É possível perdoar um adulto que, por causa de sua própria dor, destrói o mundo interior de uma criança?

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