Histórias

Organizei o casamento dos sonhos para minha filha mais nova, mas durante o jantar na véspera da cerimônia, minha filha mais velha me lembrou de como foi seu casamento, e fiquei terrivelmente envergonhada…

Quando Sofia experimentou o vestido de noiva, chorei de felicidade. Minha caçula, minha bela — em renda e seda, com um véu que se estendia até o chão. A vendedora ajustou a cauda do vestido, e eu enxuguei as lágrimas.

— Você está como uma princesa, querida.

Sofia girou na frente do espelho, brilhando de alegria:

— Mamãe, é perfeito. Vamos levar?

Olhei para a etiqueta de preço. Três mil e quinhentos euros. Suspirei e assenti:

— Claro, vamos levar.

Faltavam duas semanas para o casamento, e eu corria alvoroçada: salões de beleza, floristas, restaurante, limusine, pombas brancas para a cerimônia. Sofia sonhava com um «casamento de conto de fadas», e eu fazia questão de realizar todos os seus desejos. Afinal, ela se casaria uma vez na vida. Afinal, era a festa dela.

— Mamãe, quero aquele bolo, de três andares, com enfeites dourados.

— Claro, querida.

— E as flores — apenas peônias brancas. Nada de rosas!

— Claro, apenas peônias.

Victoria estava calada. Minha filha mais velha, que já tinha trinta e cinco anos, sempre foi reservada, séria. Nas últimas semanas, quase não aparecia — trabalho, dois filhos, marido. Mas insisti num jantar em família na véspera do casamento. Queria que estivéssemos juntos.

Ela chegou com um sorriso forçado e se sentou em silêncio. Sofia tagarelava sobre o dia seguinte, mostrava fotos do vestido, falava sobre o menu. Eu ouvia, sorria, servia mais vinho.

— Mamãe se esforçou tanto, — Sofia trinava. — Organizou tudo, pensou em tudo! Não é verdade, mamãe?

— Ah, não é nada, — acenei com a mão. — Para a filha querida — tudo o que for preciso.

Victoria colocou a taça sobre a mesa. Tão abruptamente que o vinho espirrou e se espalhou pela toalha.

— Para a filha querida, — ela repetiu em um tom baixo, mas claro.

Eu fiquei alerta.

— Vika, algo está errado?

— Está tudo certo, mamãe, — a voz dela estava estranhamente calma. — Só estou me perguntando: para a sua querida — tudo o que for preciso, certo?

— Victoria, sobre o que você está falando?

Ela se levantou, caminhou pela sala.

— Sobre o fato de você gastar dezenas de milhares neste casamento. Vestido de três mil e quinhentos, restaurante, limusine, pombas. Pombas, mamãe!

— Vika, é o casamento dela…

— E o meu? — a voz dela vacilou. — Você se lembra do meu casamento? Quinze anos atrás?

Fiquei paralisada.

— Claro, me lembro.

— Eu me casei com um vestido de uma loja popular. Alugamos um salão na periferia, para trinta pessoas. Sem limusine, sem pombas, sem bolo. Você me deu quinhentos euros e disse: «Desculpe, Vika, estamos com dificuldades».

— Naquela época, realmente estávamos com dificuldades! — levantei-me. — Seu pai perdeu o emprego, mal conseguíamos ligar o dia ao outro!

— Eu sei! — ela gritou. — Eu entendo tudo! Mas você não vê a diferença?! Você paparica Sofia como se fosse um vaso de cristal! Compra tudo para ela! E para mim — «desculpe, estamos com dificuldades»!

Sofia interveio:

— Vika, não é minha culpa que mamãe agora tenha outras possibilidades…

— Cala a boca! — Victoria rugiu. Sofia recuou. — Você é uma princesa mimada que conseguiu tudo o que queria! Escola particular, carro aos dezoito anos, férias no exterior! E eu? Eu estudei em faculdade, trabalhei desde os dezessete anos, paguei a república sozinha!

— Nós ajudamos como podíamos… — comecei, mas ela interrompeu:

— Como podiam?! Mamãe, você comprou um carro para Sofia! E me disse: «Economize sozinha, é uma experiência útil»!

Abri a boca, mas não encontrei palavras.

— Não se trata apenas de dinheiro, — Victoria sentou-se na cadeira, cobriu o rosto com as mãos. — É sobre como você a trata. Como se ela fosse o centro do universo. Você sempre pergunta o que ela precisa, o que ela quer, como ela se sente. E eu… eu para você, sou apenas uma presença. Aquela que se vira sozinha.

— Isso não é verdade! — tentei abraçá-la, mas ela se afastou.

— É verdade, mamãe. — As lágrimas corriam pelo rosto dela. — Você a ama mais. Sempre amou.

— Victoria, eu amo vocês duas igualmente!

— Não. — Ela se levantou, pegou a bolsa. — Não, mamãe. E sabe o que mais? Amanhã não irei ao casamento.

— O quê?! — Sofia saltou da cadeira. — Vika, você não pode!

— Posso. E não vou. Não colocarei os pés lá. — Ela olhou para mim. — Curta a sua filha querida.

E saiu, batendo a porta.

Sofia chorava. Eu tentava acalmá-la, mas estava em choque. Liguei para Victoria — silêncio. Mandei mensagens — lidas, mas sem resposta.

À noite, não consegui dormir. Relembrava os anos que passaram.

Victoria nasceu quando eu tinha vinte e um. Eu e meu marido estávamos apenas começando a vida: apartamento alugado, falta de dinheiro, cansaço eterno. Retornei ao trabalho quando ela tinha seis meses, não havia outro jeito. Lembro dela chorando à noite, e eu pensando: «Deus, quando isso vai acabar?»

Sofia nasceu quando eu tinha quase quarenta. Inesperado, mas desejado. Já tínhamos uma casa, estávamos estabilizados. Tirei licença-maternidade de três anos, aproveitei cada minuto. Cuidava, brincava, lia histórias. Pensava: «Que felicidade é ser mãe».

Victoria cresceu em dificuldades. Sofia — em abundância.

Isso é minha culpa?

Eu me justificava: eu simplesmente não tinha condições antes! Não poderia comprar um carro para Victoria — não havia dinheiro. Não poderia organizar um casamento luxuoso — mal pagávamos as contas.

Mas Victoria não falava de dinheiro.

Ela falava de amor.

E eu me lembrei. Como ficava irritada com Vika quando ela era pequena. Como perdia a paciência, gritava quando ela quebrava algo ou fazia birra. Como pensava: «Estou tão cansada. Por que ela não pode ser mais tranquila?»

Com Sofia… eu era diferente. Paciente. Gentil. Se ela fazia birra — eu a abraçava, acalmava. Nunca gritei.

Victoria foi a criança da minha juventude, pobreza, cansaço. Sofia — a criança da minha maturidade, estabilidade, felicidade.

Poderia eu amar igualmente filhos nascidos em circunstâncias tão diferentes?

Eu amava Vika. Claro, eu amava. Mas eu a amava tão ternamente quanto a Sofia?

E Victoria sentiu isso a vida toda?

Agora é manhã. Faltam seis horas para o casamento. Sofia está dormindo. Victoria não responde.

Posso ir até ela. Implorar que venha. Dizer que as amo igualmente.

Mas isso seria mentira.

Eu as amo de maneiras diferentes. Vika — com respeito, orgulho, senso de dever. Sofia — com leveza, ternura, carinho.

Isso é crime? Sou culpada porque uma filha nasceu na pobreza e a outra na fartura? Deveria ter negado a Sofia só porque não pude dar o mesmo a Victoria?

Ou realmente as dividi em «difícil» e «fácil»? E Victoria sentiu isso a vida toda?

O telefone está ao lado. Posso ligar novamente. Posso dizer a verdade:

«Desculpe, Vika. Você está certa. Amo vocês de maneiras diferentes. Mas isso não significa que a amo menos».

Mas ela acreditaria?

E o principal — posso eu mesma acreditar nisso?

O relógio está correndo. O casamento se aproxima. E eu ainda não sei — devo ligar para Victoria ou dar-lhe tempo para perceber que eu a amo à minha maneira.

O que você faria no meu lugar?

Related Articles

Back to top button