Papai disse que ele tem uma mulher. Eu sorri — até abrir a porta e ver quem ela realmente era…

Eu fui visitar meu pai por apenas alguns dias. Ele parecia muito diferente: bem vestido, barbeado, com uma camisa nova. Na mesa — um jantar quente, sobremesa, até velas. Eu me surpreendi:
— Pai, estamos comemorando alguma coisa?
Ele ficou constrangido, desviou o olhar e respondeu:
— É só… Queria que estivesse aconchegante. E sim… eu tenho uma mulher.
Eu não aceitei isso de imediato. Meu pai tem sessenta e cinco anos. Após a morte da minha mãe, ele viveu sozinho por muitos anos, dizendo que «não precisava de ninguém» e que já era «muito velho para isso tudo». E de repente — uma mulher.
Duas horas depois, a campainha tocou. Fui abrir e fiquei paralisada. Na porta estava uma mulher que eu já tinha visto antes. Era a médica dele. Aquela que cuidou do meu pai após a cirurgia e ligava frequentemente, perguntando sobre seu estado de saúde, lembrando-lhe dos medicamentos. Naquela época, eu pensava que ela era apenas uma especialista atenciosa.
E agora ela estava lá com um bolo nas mãos e um sorriso um pouco tímido.
— Boa noite, — disse ela.
— Entre, — eu disse automaticamente, dando um passo para o lado.
Meu pai a recebeu de uma maneira calorosa que eu não via há muitos anos. Eles se sentaram na cozinha e conversaram em voz baixa, rindo suavemente, de maneira acolhedora. Ela contou sobre seu trabalho, sobre seu filho que mora separado, sobre como adora cozinhar nos finais de semana. Meu pai a ouviu atentamente, com aquela expressão no rosto que ele não tinha há muitos anos.
Foi estranho para mim. Alegre e inquietante ao mesmo tempo. Eu via como ao lado dela ele parecia reviver, mas dentro de mim ainda vivia a memória da minha mãe.
Após o jantar, ela ajudou a limpar a mesa. Meu pai deixou algo cair, ela se inclinou para pegar, suas mãos se tocaram por um segundo. Ele sorriu — simplesmente, tranquilamente, de verdade. Ele não sorria assim há muito tempo.
Quando ela foi embora, eu não resisti:
— Pai, você tem certeza?
Ele olhou pela janela por um longo tempo, depois disse baixinho:
— Não tenho certeza de nada. Mas me sinto vivo novamente. Ela não promete nada e não exige nada. Ela está simplesmente ao lado. E me sinto tranquilo com ela.
Eu não respondi nada. Apenas me aproximei e o abracei. Dentro de mim estava tudo ao mesmo tempo — dúvida, alívio e uma inesperada gratidão.
No dia seguinte, ela voltou novamente. Trouxe medicamentos, ajudou a entender sua administração, depois eles tomaram chá por um longo tempo. E quando meu pai ria, de repente eu percebi que não havia mais resistência dentro de mim. Apenas tranquilidade. Quem disse que após os sessenta não se pode amar novamente, ansiar por encontros e se alegrar com coisas simples?
Meu pai não se tornou outra pessoa. Ele simplesmente voltou a ser ele mesmo. Um homem que quer viver, cuidar da casa, preparar o jantar e esperar pelo telefonema da noite.
Voltei para casa e continuei pensando: talvez esse seja o verdadeiro milagre — quando o amor chega não quando você é jovem, mas quando você aprendeu a valorizar o silêncio, o cuidado e o calor.
E você conseguiria aceitar que seu pai encontrasse alguém após muitos anos de solidão?




