Histórias

Meu ex-namorado me deu uma vela — fiquei chateada, que bobagem, nem para mostrar às amigas… mas eu estava muito enganada…

Pensei por muito tempo se deveria contar esta história. Talvez alguém se reconheça nela.

Durante quase dois anos, me relacionei com um homem, embora até hoje eu não tenha certeza se dava mesmo para nos chamar de um casal de verdade. Em uma semana, ele se comportava como se eu fosse a pessoa mais importante da vida dele; na seguinte, desaparecia e dizia que precisava ficar sozinho.

Toda vez que eu tentava falar sobre o nosso futuro, ele respondia sempre a mesma coisa:

— Não vamos ter pressa.

— Ainda é cedo demais.

— Vamos ver como as coisas se desenrolam.

E eu continuava esperando.

Não porque eu sonhasse com um anel caro ou um casamento luxuoso. Eu só queria entender se estávamos seguindo na mesma direção. Queria receber uma resposta honesta e clara: ou estávamos realmente construindo um relacionamento, ou deixávamos um ao outro seguir em frente.

Mas ele nunca dizia nem “sim” nem “não”.

Pouco antes do aniversário do dia em que nos conhecemos, ele me deu uma pequena vela em um copo de vidro.

— Fui eu que fiz — disse ele com tanto orgulho, como se estivesse me entregando algo realmente importante.

A vela parecia muito simples: cera clara, pavio de madeira e um leve aroma de baunilha.

Sorri e agradeci, mas por dentro senti decepção.

Não porque o presente fosse barato.

É que, naquela noite, eu não esperava um objeto. Eu esperava receber ao menos algum sinal de que ele finalmente havia se decidido e de que o nosso relacionamento significava para ele mais do que uma espera sem fim.

Acho que uma parte de mim até queria se gabar para as amigas. Eu queria, pelo menos uma vez, mostrar a elas algo bonito e sentir que o meu relacionamento não era pior do que o delas.

Agora, sinto até um pouco de vergonha de admitir isso.

Mas, naquela época, olhando para aquela pequena vela feita à mão, pensei:

“Quase dois anos juntos — e é só isso?”

Talvez ele tenha percebido a minha decepção, mas não perguntou nada.

Apenas colocou a vela nas minhas mãos e disse:

— Acenda-a na sexta-feira à noite, quando estiver sozinha em casa. E não a apague cedo demais.

Fiquei surpresa:

— Por que justamente na sexta-feira?

Ele sorriu:

— Apenas espere por essa noite. Então você vai entender tudo.

Faltavam três dias para a sexta-feira.

Mas, na quinta-feira, brigamos de novo.

Mais uma vez, eu perguntei se ele me imaginava ao lado dele no futuro. Ele ficou calado por um longo tempo e depois disse que eu o pressionava demais e que não estava pronto para tomar decisões sérias.

— Preciso de mais um pouco de tempo — disse ele.

— Mais quanto tempo? — perguntei. — Estamos juntos há quase dois anos.

Ele não respondeu.

Naquela noite, ele foi embora.

Na sexta-feira, não ligou nem apareceu.

Passei a noite inteira olhando para a vela sobre a mesa. Eu me lembrava do pedido dele, mas, por teimosia, decidi não acendê-la.

Eu queria que ele entendesse: os enigmas dele já não me interessavam mais.

Que ele pensasse que eu não ligava.

Alguns dias depois, recebi uma mensagem curta:

“Acho melhor continuarmos apenas como amigos”.

Claro que não viramos amigos.

Ele nunca mais ligou. Eu também não tentei entrar em contato com ele. Mas, à noite, eu ainda me pegava esperando a vibração do telefone e torcendo para ouvir uma explicação que nunca recebi.

Guardei a vela em uma prateleira distante.

Toda vez que ela aparecia diante dos meus olhos, eu sentia irritação. Aquela pequena coisa me lembrava do homem que sempre me deixava na incerteza.

Passaram-se alguns meses.

Certa noite, voltei para um apartamento vazio. Lá fora chovia; dentro de casa, fazia frio e eu me sentia sozinha.

De repente, senti vontade de ter ao menos um pouco de calor e luz.

Então me lembrei da vela.

Por um instante, hesitei. Parecia que, ao acendê-la, eu estaria finalmente admitindo que a nossa história tinha acabado.

Ainda assim, tirei a vela da prateleira, limpei o pó e a acendi.

O pavio de madeira crepitava baixinho. Um suave aroma de baunilha foi se espalhando lentamente pelo quarto.

Eu tentava não pensar nele.

No começo, fiquei sentada ao lado dela; depois fui para a cozinha cuidar das minhas coisas.

Passou bastante tempo.

Quando voltei, a vela estava quase no fim. A cera tinha descido até o fundo do copo de vidro.

E de repente notei algo estranho lá dentro.

No início, pensei que fosse apenas um enfeite ou um pedacinho de papel-alumínio.

Mas o objeto brilhava nitidamente na cera derretida.

Inclinei-me para mais perto — e fiquei sem fôlego.

No fundo estava um fino anel de ouro.

O mesmo anel diante do qual eu havia parado certa vez na vitrine de uma joalheria.

Na ocasião, eu apenas disse que ele era muito bonito.

Ele sorriu de lado e respondeu:

— Por que tanta pressa?

Ao que tudo indica, ele se lembrou de tudo.

Apaguei a vela, esperei a cera esfriar um pouco e retirei o anel com cuidado, usando uma pinça.

Por alguns minutos, fiquei apenas parada no meio do quarto, sem conseguir me mexer.

Depois, sentei-me diretamente no chão da cozinha e fiquei olhando por muito tempo para o anel na palma da minha mão.

Ele o comprou com antecedência.

Escondeu-o dentro da vela.

Pediu que eu a acendesse justamente na sexta-feira e esperasse até que estivesse quase no fim.

Isso significava que, naquela noite, ele pretendia me dizer algo importante.

Talvez quisesse aparecer quando eu encontrasse o anel. Talvez estivesse se preparando para me pedir em casamento. Talvez realmente imaginasse um futuro para nós dois.

Mas, na véspera, ele se assustou.

Ou mudou de ideia.

Ou decidiu que eu não era a mulher com quem ele queria passar a vida.

Eu não sabia.

E provavelmente jamais saberei.

O que mais me feriu nem foi o fato de ele ter ido embora.

Doía pensar que, em algum momento, ele realmente pretendia me escolher, mas, na hora decisiva, escolheu o silêncio.

Enquanto eu passava meses tentando entender o que havia de errado comigo, o anel estava dentro da vela.

Já comprado.

Já preparado.

Ele pensou em dar um passo sério, mas nunca encontrou coragem para me falar honestamente sobre as próprias dúvidas.

Naquela noite, pela primeira vez, entendi que o anel não provava de forma alguma que seríamos felizes.

Ele provava apenas uma coisa: por algum tempo, ele realmente considerou a possibilidade de um futuro em comum.

Mas amor não é só um anel comprado no momento certo.

Amor é a capacidade de dizer a verdade, mesmo quando dá medo. É permanecer ao lado da outra pessoa durante uma conversa difícil, em vez de desaparecer. É não obrigar alguém a passar anos tentando adivinhar o que você realmente sente.

Talvez ele quisesse me escolher.

Mas, quando chegou a hora de fazer uma escolha, ele preferiu o silêncio.

O anel ainda está sobre a minha mesa.

Às vezes, tenho vontade de devolvê-lo.

Às vezes, de jogá-lo fora, para me livrar junto com ele de todas as perguntas para as quais nunca terei resposta.

E às vezes penso que devo ficar com ele. Não como símbolo de amor, mas como um lembrete de que nunca mais vou esperar por alguém que nem sabe se quer estar ao meu lado.

Ainda não decidi o que fazer com ele.

Vocês devolveriam o anel a alguém que um dia esteve prestes a escolher vocês, mas, no último momento, escolheu o silêncio?

E vale a pena lutar por alguém que nunca conseguiu dizer com sinceridade o que realmente queria?

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