
Todo Natal ele colocava a mesa para quatro. Peru, batatas assadas com crosta caramelizada, torta de abóbora com creme – exatamente como o neto gostava. A lareira estava acesa. Uma garrafa de vinho estava aberta. O avô sentava-se e esperava.
Ninguém aparecia.
Assim se repetiu por vinte anos consecutivos.
Antes, tudo era diferente. Quando o neto era pequeno, ele e os pais vinham todos os anos para as festividades. O menino elogiava as receitas do avô, o pai fazia brincadeiras sobre a mãe, que não sabia cozinhar, e a mãe ficava vermelha. A casa estava viva.
Depois, os pais começaram a alegar que estavam ocupados. Então, o neto cresceu e encontrou outras desculpas. O avô foi visitá-los uma vez – e acidentalmente ouviu o neto dizendo aos pais que tinha vergonha dele. Como ele parecia, como se vestia. Pediu que o mandassem de volta para casa.
O avô arrumou suas coisas na manhã seguinte e foi embora. Prometeu a si mesmo que nunca mais voltaria sem ser convidado.
Mas a cada Natal continuava enviando uma carta. E sempre colocava a mesa.
Aquele ano, a carta não chegou.
No início, o neto não prestou atenção – estava ocupado, a vida seguia seu curso. Mas um dia, ao remexer em velhos envelopes, percebeu de repente: dessa vez não havia nada. Pela primeira vez em vinte anos.
Ele ligou – ninguém atendeu. Escreveu – não houve resposta.
Ele comprou uma passagem e voou para lá.
A casa o recebeu com a porta aberta. Por dentro – poeira, teias de aranha nos cantos, pisos rangendo. E a mesa posta para o Natal. A comida já estava ressecada. O avô tinha colocado a mesa, como sempre. E desapareceu.
O neto foi de porta em porta, perguntando, buscando. À noite, adormeceu nos degraus da varanda.
Pela manhã, um dos vizinhos o encontrou lá e contou tudo.
Na véspera de Natal, os vizinhos – um casal jovem, recém-chegado – foram até o avô. Eles souberam que ele estava vivendo sozinho e decidiram convidá-lo para sua casa. Quando bateram e ele abriu a porta – desmaiou. Ele tinha sofrido um derrame. Os vizinhos chamaram uma ambulância e ficaram com ele no hospital.
O neto correu para lá.
O avô ficou inconsciente por quase seis meses. Quando abriu os olhos, o neto estava ao seu lado.
Ele chorava e pedia desculpas. Por todos os anos. Por sentir vergonha. Por procrastinar – na próxima vez, depois, em outra ocasião. Por vinte anos de cadeiras vazias na mesa posta.
O avô sorriu e perguntou se o neto iria ao Natal naquele ano.
Ele respondeu que o avô nunca mais iria a lugar algum sozinho. Que ele o levaria para casa. E isso não estava aberto a discussão.
O avô riu e o abraçou.
Depois disso, eles passaram a festejar o Natal juntos todos os anos – até o fim. Quando o avô se foi, o neto começou a visitá-lo no túmulo com seu filho. Levava suas flores favoritas. Contava ao menino como o avô tinha sido.
O menino ouviu atentamente e um dia disse: quando crescer, também quer ser um avô como ele.
Todos riram. E choraram ao mesmo tempo.
Existe alguém na sua vida que você continua adiando visitar – e talvez já fosse hora de ligar agora mesmo?




